Amor, ah, o amor…
Não há sentimento mais discutido e controvertido que o amor. E o que é o amor?
Descrever, analisar, entender, reconhecer, ver, sentir, dar. Há uma lista interminável de verbos e ações que conjugados com o amor, continuam gerando dúvidas ou polêmicas.
Você já amou? Tem certeza? Então me diga, como foi que, certa vez, se encontrava só, no meio do nada, e pensava que, agora sim, sabia o que é amar. Se agora você sabe, significa que, da outra vez, quando pensava que amava, realmente, não sabia. Difícil de entender? É o terceiro verbo da lista acima. Entender o amor e suas facetas, sempre será muito difícil. E por quê?
Bem, nunca cursei Psicologia, nem pretendo me passar por um profissional da área, mas anos de vivência e de observação, principalmente, fizeram-me acreditar em algumas coisas que hoje, considero como verdades. Minhas, naturalmente.
Por que não tentamos juntar estes verbos com alegria ou tristeza, ou melhor, com felicidade? Quem se candidata a descrever, analisar, entender, reconhecer, sentir ou dar felicidade.
Certa vez ouvi uma história, cômica se não fosse trágica, que dizia que certo passarinho do hemisfério norte, fugia desesperado de uma casa, onde encontrara abrigo do frio e da neve, porque o gato da casa não o deixava em paz. E havia o risco de vida eminente. Ao sair voando pela janela, uma nevasca o pega de surpresa e o pobre animal cai sobre a neve já semicongelado, pronto para morrer. Uma vaca que passava, também fugindo do frio, evacua e suas fezes quentes caem sobre o passarinho. O moribundo se refaz com aquela súbita onda de calor e cheio de alegria começa a cantar, anunciando que vai sobreviver. Um gavião ouve o canto, desce e pega o passarinho em suas garras e o devora.
Triste, não? Mas vamos deixar a tristeza de lado e analisar alguns, entre os fatos narrados. Onde o pássaro era mais feliz? No conforto da casa, fugindo do gato? Na natureza livre, mas sujeito a nevascas? No meio de um monte de fezes quentes?
Viram? O conceito de felicidade é muito tênue. Depende de momento, de situações, de ambiente e até de uma necessária mudança súbita de valores. Em um determinado momento, estar sujo de fezes quentes, era realmente a maior felicidade. Tanta felicidade que se pôs a cantar.
Mas, não iniciei este texto, para falar de passarinho ou fezes. Queria apenas demonstrar que o conceito de felicidade é tão difícil, em certas ocasiões, quanto o conceito e reconhecimento do amor.
Tudo isso se deve ao simples fato, de estarmos lidando com sentimentos, que por características, são individuais e pessoais.
Lembro-me, quando era pequeno, cerca de nove ou dez anos, e me vi apaixonado por uma menina da escola. Meus amigos, todos de idade próxima a minha, crianças como eu, me ridicularizavam dizendo, que amor era uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas. Era minha primeira decepção com este sentimento tão puro.
Foi um de meus primeiros erros em relação a um sentimento. Na época, sabia o que estava sentindo, meus colegas, evidentemente, não tinham a menor idéia do que se passava comigo. Meu sentimento era endereçado à minha pequena deusa. Talvez ela pudesse entender…
Sentimentos são pessoais. Você pode pedir ajuda, desabafar, mas terá que fazer com que seu receptor capte sua mensagem, senão, nada feito. Temos que transmitir ao outro o que estamos sentindo. Se isso se aplica a terceiros, imagine demonstrar nosso amor, a quem realmente ele se destina.
Quando se fala de amor, surge um novo dilema. Não basta amar, temos que amar do jeito que nosso alvo entenda, receba e goste de ser amado. Ou será que só eu senti amor platônico? Levante a mão quem nunca amou sozinho.
Se não soubermos demonstrar e passar nosso amor a quem ele se destina, vamos acabar sofrendo. Sempre defendi a teoria do vínculo forte, pais, filhos, netos, irmãos. Haja o que houver, o vínculo não se desfaz. Imagine o filho que só trouxe desarmonia, tristeza, angústia e dor a seus pais. Não vale nada este menino, diriam. Mas continua sendo seu filho, seu fruto, você o trouxe ao mundo.
Mas há também o vínculo tênue. Mais fraco, rompível, quebrável. Infelizmente, é nessa classe que incluímos o amor. Pode se romper a qualquer momento. Temos que alimentá-lo sempre. Não deixar que se desfaça, nem que se perca. Monotonia, brigas, discussões, enfim, não são fatos aleatórios. Foi a falta de alimento para o seu amor ou alimentação indevida e incorreta.
Cuide do seu amor. Sempre. Não deixe que morra, adoeça ou simplesmente se esvaneça. Só você sabe cuidar dele.
E por que mão única? Não me crucifique, não brigue comigo e nem fale mal de mim por aí. Tente entender a filosofia da proposta. Não concorda? Não tem problema, você leu e vai pensar. Quem sabe um dia não volta e me dá razão?
Quando você ama, apenas ama. Veja um pequeno estudo morfológico e sintático. Amar, verbo intransitivo ou transitivo direto. Nunca bitransitivo, nunca reflexivo, como lembrar-se, por exemplo, e em algumas exceções transitivo indireto, como em amar a Deus. Alguns estudiosos da língua defendem que, no caso, não é um objeto indireto, mas um objeto direto preposicionado, a Deus.
Bem, após este breve ensinamento sobre análise gramatical de um sentimento e antes que seja chamado de louco ou doido varrido, vamos retornar ao ponto de partida.
Se você só pode amar alguém ou alguma coisa, esta última uma situação muito rara, mas existem pessoas apegadas a bens materiais e que realmente amam seus carros, suas casas, suas conquistas. Realmente, é um sentimento de apego, mas amor? Sei lá, acho que é mais uma conotação que uma denotação. Bem, vamos em frente.
Se você só pode amar alguém, o sentimento recíproco não é garantido, é subjetivo e desejado, ou como se diz, correspondido, mas não é troca, nem resposta. E aqui fica o âmago da afirmação inicial. E por que mão única?
Porque quando você ama, não há correspondência, é um sentimento ímpar, isolado, solitário. Quando você é amado, e acho que é isto que você espera, na realidade, surge um novo sentimento ao qual chamo de felicidade, seria a reciprocidade em forma de sentimento. Quando você deposita suas economias em um banco, você espera pela reciprocidade do banco, socorrendo-o nas suas horas de necessidade. Quando você consegue aquele cheque especial que vai lhe ajudar em algum objetivo, o banco espera sua reciprocidade em novas operações, onde obtenha mais lucro em cima de você, fora os juros exorbitantes do cheque especial que você vai pagar.
Aqui, no amor, não há reciprocidade, nem troca. Ame, deixe sua mente ou, se preferir, seu coração correrem soltos pelas ruas da imaginação.
Ame com toda força, sem esperar nada em troca, ela vem naturalmente, se houver amor da outra parte também. Deixe sua mente fluir e buscar a melhor forma de amar. Um beijo, um abraço, um carinho mais íntimo, um cafuné, um simples toque no braço, um beijo quente no pescoço, um sexo gostoso.
Tudo conta, do beijinho na ponta do nariz ao orgasmo maravilhoso. Nunca esqueça que o amor é uma mensagem codificada. Será que seu receptor a entendeu? Decodifique para ele ou ela. Facilite. Aprenda a falar a língua do amor, ela é universal.
Tudo é válido para você amar, para você demonstrar seu amor, para você alimentar a plantinha que nasceu em você. Não regue a planta dos outros, regue a sua, nutra a sua, desenvolva a sua e depois me escreva ou me diga. Ao receber, se receber, tudo isso de volta, você estará sentindo o que? Felicidade ou recompensada?
Tomara que você esteja feliz, muito feliz e amando. Amando sempre! Seu vínculo tênue não pode se transformar em um vínculo forte, mas você pode sentir como se o fosse. Inquebrantável, imorredouro, eterno enquanto dure posto que é chama, como disse o poeta Vinicius de Morais.
E nunca esqueça, quando você alcançar a via de mão dupla que você tanto almeja, esta avenida se chama Felicidade.
Boa sorte!!!
Alex Paranhos
alexparanhos@cerebromasculino.com
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[...] Aliás, gostaria muito de receber críticas sobre um de meus primeiros posts, “Amor Via de Mão Única”. [...]
pensei em comentar.
não, não gostei.
já amei de mão única e ainda faço isso e a única coisa que me parece que recebemos em troca, muitas vezes é um: não te pedi isso.
amar de mão única não nos faz bem.
não nos deixa bem, nos deixa um vazio, já que você dá um pouco, às vezes muito, de si e nada recebe…
nada pedir em troca é não amar si mesmo, não achar-se merecedor do que dá. é um tipo de mutilação. existe um ditado que diz e que eu acho correto: “cada um ama do jeito que precisa ser amado”…
sentir-se nas nuvens amando assim é voar bem alto, pra depois cair e quebrar todos os dentes no chão… e depois? dar um sorriso banguela e sanguinolento e dizer: eu amei sem nada pedir em troca.