Olá, meu nome é B. e tenho 24 anos e namoro um rapaz há 10. Nosso namoro era muito bom, durante os 6 anos de saímos muito pra barzinhos, festas. A vida era só nos dois. Porem, apos 6 anos, o pai dele descobriu que estava doente, ai tudo mudou: meu namorado assumiu uma responsabilidade que não era dele, a irmã do meio já se encontrava casada, e a mais nova eu tinha certeza que só era terminar a faculdade que ela arranjaria um pra se juntar. Então, o pai dele faleceu, e as coisas ficaram piores.
Desde ai, sempre que se falava em casamento, ele só sabia dizer que ia morar em cima da casa da mãe. Que era um homem de princípios como o pai e que não podia deixar a mãe só, porque ela se mataria ( a mãe dele é do tipo chantagista, e meu namorado é do tipo fraco pra aguentar pressão). Então, hoje com 10 anos de namoro, a irmã mais nova já esta de casamento marcado e a gente continua sem nada pra nós dois. Minha mãe só tem eu de filha, mas em nenhum momento ela me pediu pra morar aqui em cima da casa dela, porque ela sabe o quanto eu almejo minha privacidade com o meu marido.
Ficou muito difícil nossa situação, ele já deixou muitas vezes de sair comigo e dormir comigo porque eu não tinha avisado mais cedo pra a mãe dele chamar alguém pra dormir lá. E isso me faz muito mal, me sinto trocada. E acho ridículo já que eu e minha mãe não vivemos prisioneiras uma da outra. Eu saio e viajo com ele e minha mãe fica sozinha, e nem morre por isso. Ela quer que eu seja feliz. A mãe dele passa o dia cuidando da netinha, a tarde a filha dela e a filha adotiva ficam lá com ela. A companhia que meu namorado faz a ela é uma dormida, ai já conversei com ela dizendo que ela precisava de uma companhia pra dormir, só isso. Mas ele não vê assim, ele acha que se sair a mãe dele não vai aguentar.
Esta muito complicada nossa situação, eu já tive umas situações chatas com a mãe dele, por exemplo: antes do pai dele morrer, ela me disse para rezar muito pra nada acontecer com o marido dela senão ela seria uma cruz muito pesada na nossa vida. (ele disse que ela disse isso porque estava desnorteada, interessante como as sogras sempre aprontam e ainda saem por santas). Ai teve outras piadinhas que eu não gostei.
Fizemos uma viagem maravilhosa no niver dele, senti o quanto a gente se ama, mas quando chegamos voltou a realidade e o peso da cruz. Conversei com ele, ele me disse que a única coisa que podia fazer era aonde hoje é um deposito da família, ele poderia depois pedir um empréstimo pra fazer uma casa pra a mãe embaixo, e uma pra a gente em cima. Disse que as casas iam ser isoladas, teríamos portões diferentes. Ai eu perguntei, e quando fossemos sair, se ele iria deixar de sair, ai ele disse que como a irmã adotiva dele mora umas cinco casas depois, a mãe poderia ir lá dormir, sem problemas. Mas não sei estou com medo de tudo isso.
Eu fui criada muito independente, saio de casa não digo nem pra aonde vou, só digo vou ali. Já ele não, ele diz pra aonde vai e que já volta. Se ela vier me perguntar pra aonde vou, não irei aceitar… estou pensando muito sabe? Conversei com minhas amigas e cheguei a conclusão de que se eu aceitar que ele faça duas casas (tipo casas geminadas –> uma duplex pra gente e uma normal pra ela, separadas com o muro claro e cujo acesso a ambas as casas seja pelo portão da frente), alem disso estou tentando enumerar muitas condições: tipo não é porque mora vizinho que vai ter que viver lá, eu gosto de ficar sozinha em casa, e sei que o casal precisa desse espaço também; outra coisa toda hora que for sair colocá-la no carro pra ir também (jamais), uma vez ate que vai; quando formos sair a noite e já dizer pra ela que vamos sair e que chame a alguém pra dormir com ela, pois não quero que ela fique ligando enchendo o saco pra saber se já esta perto de ir pra casa…
Sei lá são muitas condições pra que isso der certo. Na verdade, nem sei se isso vai acontecer, nem sei se ela vai concordar de ser casa uma do lado da outra, mas ele tem que ceder também ne? Eu queria um apartamento e tal, e não estou vendo a possibilidade de ceder, então ele tem que ceder também. O que você acha?
Olá B.,
Uma mãe cria seu filho, cuida, amamenta, aperta, ampara, exige, protege, superprotege, mima, ajuda, orienta, obriga algumas vezes, instrui, educa, informa, atende, com qual objetivo além de proporcionar uma condição de vida no mínimo saudável para que a criança cresça saudável fisicamente e emocionalmente? A velha reflexão é válida. Filhos são do mundo e cabe à quem cria entender que caminhar com as próprias pernas é algo positivo, que enobrece e cria estrutura interna no sujeito para lidar com as questões do mundo e pessoais que surgem ao sorrir, chorar, sofrer, pecar, acariciar e doer dentro de si mesmo.
Acontece que nem todo mundo entende que estar para o mundo não significa abandonar suas raízes (caso essa não tenha deixado marcas tristes e sofridas). E nesse caminho do engano muitos pais acabam algemando pássaros que nasceram para voar. E há também aqueles pássaros cujas asas não batem, cuja dificuldade em enfrentar a menor das alturas é tanta que os paralisa e os impedem de alçar vôos maiores. Com isso criam-se alguns costumes que enraízam as pessoas nas relações, pais que não desgrudam dos filhos, filhos que não desgrudam dos pais, ficar junto claro que pode, afinal de contas é família, mas desde que isso não seja algo que impeça, que restrinja a abertura de possibilidades para se experimentar o que está la fora, o acerto e o erro, o passo e a queda.
Isso vale tanto da parte dos pais quanto da parte dos filhos que cuidam dos pais. Necessitarem de cuidados é uma coisa, agora dependerem emocionalmente é algo perigoso e que pode levar à discórdia. Pra ser bem sincero com você, pela história que contou essa coisa de morar ao lado ou mesmo se fosse perto sinceramente não dá certo. Sendo “grudado” com a mãe desse jeito, estando perto ou não você corre o risco de ficar boas noites sozinha ou até mesmo em companhia da sua excelentíssima sogra pelas “n” queixas que ele pode apresentar por se sentir “desamparada”. Um psicólogo ou acompanhante terapêutico cairiam bem nessa hein.
Se ele quer cuidar da mãe isso é ótimo, agora tem que haver um bom senso de separar o que é importante, quer dizer essencial para a mãe e fundamental para o relacionamento de vocês. Mãe é uma coisa, esposa é outra e não dá para competir porque são coisas diferentes. Se você ficar se comparando ai sim é arranjar mais dor de cabeça. Voltando a questão da casa, sinceramente não dá certo, a não ser que a mãe dele tome outra postura, coisa que acho difícil principalmente porque já surgiu ai um clima chato entre vocês duas.
Agora imagina vocês dois naquela pegação gostosa no chão da sala, em cima do móvel da cozinha, na parede do corredor, andando pelados pela casa e de repente ela liga no telefone pedindo pelo filhinho ou batendo à sua porta porque gostaria de companhia. Acontecer uma vez a cada 6 meses até vai, mas isso ai não ta com cara de que será algo esporádico e sim algo constante, chato e insistente.
Pense bem, porque se ele não tiver esse discernimento e coragem para colocar alguns limites para essa situação, não vale a pena você “tentar” acreditar que as coisas se resolverão depois em nome do “amor”. É nítido que você gosta muito dele e isso até pode ser recíproco, mas não adiantará se existir esse mal estar mal resolvido entre vocês dois. Uma coisa é ele dizer que a mãe pode dormir com a filha adotiva, outra coisa é a mãe cismar que gostaria que ele dormisse com ela para se sentir mais segura. Desculpe, mas temos que pensar na pior das hipóteses porque isso pode acontecer entende? E temos que pensar nisso para que você saiba bem a escolha que está fazendo e se for para ser infeliz com isso, será que realmente valerá a pena? Nada contra, mas apenas tenha consciências dessas possibilidades, pois uma vez feita a escolha, os efeitos disso (bons ou não) você sentirá na pele.
Até mais!!
Márcio Oliveira
marcio@cerebromasculino.com
Meu Blog: As Palavras
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Brunaaa, a irmã dele que ja era casada na época que o pai faleceu, ja disse a ele que ele fosse cuidar da vida, que ele ja estava com trinte anos e nao tinha feito nada por ele ainda que ela iria cuidar da mae. Mas ele ja colocou na cabeça (com a ajuda da chantagem emocional da mãe, é claro) que se sair de casa a mãe se mata. Ele não foi fazer faculdade fora, nem foi um adolescente de sair muito porque a mãe fingia desmaios pra ele não sair. Ja a filha mais nova teve sorte, sempre pintou e bordou e a mãe enche a boca pra dizer que da maior valor a unica filha que num ta nem ai pra ela, so pra luxo e vida de princesa. è a vida, minha cruz como ela mesmo disse. Eu ja tentei exlicar pra ele que ela so precisava de uma companhia pra dormir, ja que ela passa o dia com as filhas. Mas ele nao entende assim. Nao adianta.
Muitas vezes por não simpatizarem ….
Caramba, que complicada essa história…. E sempre tive sorte com Sogras, mas algumas familiares nem tanto…. e te digo… Elas não mudam, só pioram…
Desculpe mas te achei um tanto quanto cuimenta… pelo teu texto… tudo bem que ela nao deve ser fácil…Exige demais dele…faz pressão… chantagem emocional…..
O Márcio descreveu tudo..exatamente tudo o correto (não sei porque ainda me admiro com isso ainda..
Enfim.. Tenha um pouco de paciência tmb..mãe é mãe… seja mais flexível tmb…O Amor dele por vc é totalmente diferente do que ele sente pela mãe dele..São amores diferentes…. vcs duas têm que aceitar isso.. infizmente… e vc nao bata de frente com ela nao.. porque perderá feio… ela por toda a vida será a mãe… e vc um dia talvez não exista mais na vida dele… pense numa situação… vc amaria e admiraria um homem o qual abra mão (uma hipótese) desprezasse a mãe por vc? eu nao amaria mais esse homem.. se ele é capaz de fazer isso com a própria mãe..imagina que fará um dia com a esposa… vc tem que sentir admiração.. por ele.. ja dizia um velho ditado que um ”’bom filho… será um ótimo pai””…Claro e mais que óbvio que vcs nao conseguirão morar próximos.. ela vai tecer em volta de vcs… ele vai ficar com pena…vai ceder..
Teria como vc entrarem num acordo com os outros filhos..?.. façam rodízios..contrate enfermeira e ela terá que aceitar…
Situação bem difícil pra vcs..
ser mais flexível… Sua relação com tua mãe é uma.. dele é outra..não as compare.
Coloque um limite pra isso…converse com teu namorado…fale como vc se sente em relação a tudo isso…peça pra ele pensar um pouco em vc… que precisa da atenção dele tmb..
Boa sorte..
Retribuir isso com o ato de cuidar é o mínimo que poderíamos fazer, mas dentro da questão apresentada há uma certa mistura entre o que a mãe dele entende como filho e o conceito de esposo da nora e isso que acaba dificultando a relação.
Há de se tentar um acordo, ou não. rs
Bem eu sofri na pele esse lance de mãe que não quer cortar o “cordão umbilical”, minha mãe usou altas chantagens, dizendo que lugar de filho é perto dos pais, que criou durante 22 anos pra chegar nessa fase da vida e ser abandonada pela filha, que me carregou 7 meses na barriga e eu no fim não dei valor nenhum,hahaha,podia ser até atriz de novela mexicana. Mas nesse caso aí, o lance é mesmo cortar esse contato direto,acredito que um casal já tem problemas demais no início de uma relação, pra ter uma outra pessoa interferindo.
O lance da pegação no chão da sala, ui deu até vontade de casar…rs
Agora os confetes pro Márcio ,,,,Que estrofe mais lindinha…
E nesse caminho do engano muitos pais acabam algemando pássaros que nasceram para voar. E há também aqueles pássaros cujas asas não batem, cuja dificuldade em enfrentar a menor das alturas é tanta que os paralisa e os impedem de alçar vôos maiores.
Ela vai fazer da casa de vcs uma extensão da residência dela… E quando ela te chamar pra almoçar e vc não quiser ir (por exemplo)? Ela vai encher a cabeça do seu marido, dizendo que foi desfeita e blábláblá…
E vai piorar quando vcs resolverem ter um filho…. ela vai querer se apropriar dessa criança… rs
Tem muita sogra que acha que quando o filho casa, pronto… ela perdeu o “posto de importância” na vida do filho. Mas como o Márcio sabiamente disse (aliás o post inteiro merece aplausos!): “Mãe é uma coisa, esposa é outra e não dá para competir porque são coisas diferentes.”
Você precisa ter uma conversa franca com o seu namorado e impor os limites pq se esse ‘cordão umbilical’ não for cortado agora, ah meu bem… sem chance!!!
Boa sorte!
bjs