Pagando Paixão

Essa mesma coisa já aconteceu comigo algumas vezes e tenho alguma certeza de que deve acontecer por aí com várias outras pessoas nesse nosso mundo. Atire a primeira pedra quem nunca se viu no meio do furacão de não saber como definir uma relação. Até no onipresente caralivro as definições são confusas: amizade colorida, relacionamento enrolado. Cada um que dê o seu nome. Ou que prefira não dar nome nenhum, para não atrapalhar.

 


A questão é que, quase sempre, quando se está ficando com uma mesma pessoa por algum tempo, com alguma frequência, é normal que – para ao menos uma das partes – comece a rolar um sentimento. Alguém comece a pagar paixão, como se diz lá no Recife.

 

A expressão “pagar paixão”, caso não tenha ficado claro, é aquele momento em que você (ou a outra pessoa) começa a se apegar, sentir de um jeito diferente, querer algo mais. É uma condição que pode ser perigosa. É quase que incurável, sem tratamentos de eficácia comprovada e para a qual meu único conselho é agir rápido, porém com cautela.

 

Vou me explicar: paga paixão quem está se sentindo (ou querendo se sentir) namoradinho/a de alguém com quem só se está ficando, nada mais. E aí você começa a querer exclusividade, a querer definir a relação – que é, convenhamos, uma das coisas mais difíceis de se fazer, a não ser que os dois queiram a mesma coisa. A situação complica quando a outra pessoa não quer a mesma coisa, quer só ficar.

 

Bem. Meu único conselho para evitar situações mais graves é conversar. Chegar junto e dizer como se sente, perguntar o que o outro quer. Afinal, não podemos adivinhar o que a outra pessoa está pensando, nem definir por nós mesmos uma relação. Pagar paixão sozinho é um investimento de alto risco. Então, é melhor conversar, deixando claro o que cada um quer, e partir daí. Seja para evoluir, ou não. Mas que seja claro.

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