Eu sempre fui aquele cara que tinha muitas amigas mulheres. Algumas até brincavam que de tanto participar das conversas eu deveria me considerar sortudo. Afinal, estar entre elas é se aproximar um pouco do universo feminino, tentar compreender a sua tão má afamada lógica. Enfim, se fosse por aí, eu seria o novo Chico Buarque, que dizem compreender tão bem a alma feminina.
Infelizmente, não é o caso. Longe disso. Minhas experiências em relacionamento só servem para comprovar que cada mulher é única e que só Chico consegue de fato entender suas almas. Mas se tem uma coisa que eu consegui aprender com isso tudo é a incompatibilidade que existe entre homens e mulheres no entendimento da expressão “tudo bem”.
Eu sei, já apareceu em todo tipo de lista, manual compreensível e texto dentro e fora da internet. Mas eu quis assim mesmo ressaltar essa característica que considero tão incrível. Talvez por esse meu problema de excesso de sinceridade, tenho dificuldades em dizer que está tudo certo quando não está. Se existe um problema, das duas uma. Ou você engole o choro e passa por cima, ou então, vamos a ele, para resolver logo. Mas parece que algumas mulheres não pensam assim. Seu “tudo bem” pode significar qualquer coisa estranha ao nosso entendimento.
Eu mesmo, de vez em quando, me pego com medo de perguntar se está tudo bem, aflito de me receber essa resposta tão simples e ao mesmo tempo imensamente enigmática e complexa. Principalmente porque, se achar que algo está de fato errado e perguntar o que é, terei que lidar com mais uma imensidão de sinais codificados com os quais não consigo fazer associações plausíveis. Se deixar passar, me fazendo acreditar que vai tudo bem de fato, crio problemas ainda maiores. Ao fim e ao cabo, só conseguirei fazer minha cabeça fumaçar e evitar que meus nervos entrem em colapso quando a autora da tão temida frase me disser porque NÃO está tudo bem.
Faço então um pedido a todas as mulheres, não (apenas) porque nós homens tenhamos problemas de entender suas sutilezas, mas porque sabemos todos que o melhor caminho é sempre o diálogo (como disse nosso querido Mr P.). É melhor falar logo sobre os pequenos problemas, antes de se criar uma bola de neve que complique ainda mais as coisas e o relacionamento e seja encessária uma daquelas DRs homéricas que deixam todo mundo mal. Tudo bem?








