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Fonte da imagem: http://weheartit.com/

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Me lembro bem. Era dia 27 e fazia um sol forte lá fora. Nenhuma nuvem no céu. Um dia comum, que tinha tudo pra ser igual aos outros e não foi porque você chegou. “Filha, arruma tudo aí que Lucas tá vindo pra casa!”, foi o que ouvi minha mãe dizer segundos antes de correr pra te buscar na maternidade e foi o que me desesperou. Eu tinha 14 anos, não fazia ideia do aquele “arruma tudo aí” significava. O que eu devia fazer? Separar as fraldas? Encher a banheira com água morna ou preparar uma madeira? Não sei. Tudo que eu consegui fazer foi te esperar. Sentei-me na cama, de frente pro bercinho que ia te abrigar até você não caber mais lá e pensei no que seria a minha vida dalí pra frente. Eu ria à toa, não tinha como esconder a euforia que era esperar pelo desconhecido. Eu roía as unhas, tava ansiosa pra te ver entrar pela porta do quarto e olhar o seu rostinho. Queria ver como você era, que cor eram seus olhos. Queria gravar na minha memória cada traço seu.

Não demorou muito e você chegou. Minha vontade era te receber com gritos e fogos de artifício, mas logo ouvi um “shiiiiiiiu!” sinalizando que você estava curtindo um soninho gostoso e tive que ficar quietinha — foi bem difícil. Dizem que os bebês nascem feios mas você não. Não sei se era amor mas você era o bebê mais lindo que eu já tinha visto na vida — e o que chorava mais alto também. Lembro que suas maõzinhas vestiam luvinhas brancas que logo caíram, porque estavam folgadas demais. Você pesava menos de 3kg, tinha uns 47/48cm e não duvido nada que coubesse dentro de uma caixinha de sapato — ou dentro do meu coração. Sua mãe, seu pai e seu irmão tinham no rosto uma expressão inédita. Quando mamãe olhava pra você ela sorria sem mostrar os dentes, só com um lado da boca. Era um sorriso de encantamento. Ela trocava sua fraldinha com tanta maestreza, já tinha feito isso antes. Ninguém desaprende a ser mãe — mesmo que tenha se passado 14 anos. Eu lembro que você tinha uma penugem loirinha na nuca que se arrepiava cada vez que eu alisava com a pontinha dos dedos. Eu te observava dormindo e tentava entender como uma coisa tão pequenina conseguia me fazer tão feliz. Eu tinha a sensação de que não faltava mais nada na minha vida. Você chegou, neguinho!!!


Eu sabia que nada ia ser como antes. Sabia que choros às 2h da madrugada viriam, que fraldas seriam trocadas 300x ao dia e que minha paciência teria que ser praticada na hora da mamadeira. O que eu não sabia é que meu coração ia disparar cada vez que você abrisse um sorriso banguelinho. Eu me derretia. Você sabia bem como desarmar qualquer pessoa. Chantagista!!! Com o tempo, aquela boquinha de velho foi ganhando novos moradores. Você bocejava e eu conseguia enxergar dois dentinhos incisivos crescendo ali. Dentinhos que logo, logo seriam substituídos por outros mais fortes que me morderiam de vez em quando — isso eu também não sabia. Você foi crescendo e cultivando o hábito de cochilar no meu peito. Se espalhava ali como se fosse o colchão mais macio do universo. Envolvia as pernas na minha cintura, se agarrava àquela fraldinha já desgastada de tantas lavagens e adormecia. Eu não sabia que me orgulharia tanto ao te ver balbuciar as primeiras palavras, ao te ver ficar em pé sozinho, tentando, de alguma forma, se equilibrar nessas perninhas gordinhas. Tão gordinhas quanto suas bochechas.

Do dia 27 pra cá se passaram 7 anos. Hoje você tá tão grande. Tão inteligente, tão independente. Já sabe até tomar banho sozinho — muito embora esqueça de ensaboar as costas e esfregar os pés. Já liga a TV no seu canal de desenho favorito, às vezes vai na geladeira procurar comida. Sete anos se passaram e eu ainda enxergo nos teus olhos a mesma ingenuidade que enxerguei naquele dia 27. Isso me dá um pouco de medo. Sabe, neguinho, ninguém te falou ainda porque talvez seja cedo demais, mas o mundo lá fora tá mais bagunçado que seus brinquedos. Há tanta ira e tanta crueldade no coração das pessoas. Há desonestidade. Eu não quero que você conheça nada disso. Quero te colocar no colo e te proteger de toda e qualquer maldade. Quero fazer isso até você terminar a faculdade, casar e ter filhos. Sim, eu quero cuidar de você. Sempre. Sei que um dia você vai precisar ir e eu vou ter que deixar. Então vá. Conheça a vida. Adquira experiência. Caminhe com seus próprios pés. Mas volte. Volte sempre que precisar de aconchego, de carinho, de alguém que te estenda a mão quando você tropeçar. Volte, também, quando não precisar de nada. Quando quiser voltar só por voltar.

Te amo, neguinho! Te amo porque você trouxe vida à minha vida.

*Escrevi esse texto para meu irmão mais novo e postei no facebook. A repercussão foi tão positiva que resolvi compartilhar do meu amor com vocês! Quem tem irmão/filho vai entender melhor o que sinto! 🙂 Espero que gostem!

Beijos,

Mari.

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