A Arte da Crítica

Conheci um homem através de um site de relacionamentos. Soube, desde o principio, que ele era casado. Porém, mesmo assim aceitei sair com ele. Disse-me que já havia pedido a separação, mas a esposa não aceitava. Ela fazia-lhe ameaças, além de estar passando por problemas de ordem financeira com a família dela, o que dificultava mais, ainda, a separação. Ele sempre foi verdadeiro quanto a isso. Nunca mentiu a respeito. Sempre me pediu calma e paciência para resolver tudo.

Ele vinha de longe só para ficarmos juntos. Eu não sei que desculpas ele arrumava para a esposa para ficar tanto tempo fora… A última vez que nos vimos, falei sobre meu ex, e comentei sobre as desculpas que ele dá à mulher. Disse que não sei como ele conseguia olhar nos olhos dela depois de ter ficado comigo, comer a comida que ela prepara e outras coisas que eu me coloquei no lugar dela e disse que eu não gostaria que ele fizesse isso comigo. Questionei a coragem dele… Enfim, ele não me procurou mais. Foi embora sem falar nada, não responde mais minhas mensagens, não entra mais no site de relacionamento onde nos conversamos… Enfim, sumiu sem dar satisfação e eu não sei o que fazer e pensar.

Acho que me apaixonei e, quanto a ele, nunca vou saber o que sentiu de verdade por mim, e o que é pior, nunca vou saber o motivo do silêncio dele. Preciso da ajuda de vocês para desvendar o mistério da mente masculina.


Impulsiva leitora;

Muita gente se gaba de falar tudo que vem à cabeça. Dizem: “Não guardo nada. Coloco tudo para fora. Tudo que vem a minha cabeça eu falo.” Se gabar por agir com insensatez? Se congratular por agir de forma impulsiva? Se achar superior por metralhar pessoas com palavras inadequadas, que, muitas vezes, ecoarão por uma eternidade…

Quem fala tudo que vem à cabeça perde a noção de razão e humanidade. Pois, além de ser necessário filtrar o que pensamos para digerir no mundo exterior, quem fala por impulso, não se coloca no lugar do outro, profere palavras ofensivas, que magoam, mesmo que não tenham intenção de machucar.

É necessário pensar antes de falar. Principalmente, quando se vai fazer uma crítica. A grande parte das pessoas, não aceita ou não gosta de ser criticado, porque, qualquer ato nesse sentido, torna-se invasivo. Mas aí você diz: “Eu não estou nem aí se a outra pessoa vai gostar ou não!”. O Problema é que, na maioria das vezes, criticamos aquelas pessoas de nossa convivência diária, aqueles que estão perto, aqueles que gostamos… E, com isso, muitas vezes com as melhores das intenções, terminamos invadindo o espaço do outro, ou seja, incomodando. O que você faz com algo que te incomoda? Fica longe, se afasta.

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Não pense que por ser amigo, namorado, marido, pai, mãe, filho sua crítica será, a primeiro momento, encarada como algo bom. Pois, não será. Será algo que invade a individualidade alheia. Então, como criticar? É necessário “ganhar”, momentaneamente, a pessoa… Por mais que seja seu marido de anos, que você ache que o “ganhou” pela eternidade, o que importa é o momento. Deve-se ganhar o outro no momento que antecede a crítica, ou seja, devemos procurar características elogiosas da outra pessoa e falar delas, antes de criticá-la. Veja a forma como você poderia ter falado sobre a traição do seu amante: “Você é um homem tão bom, sincero, que gosta das coisas certas. Admiro muito você por isso. Não sei como consegue trair sua esposa.” É necessário que os elogios sejam sinceros. Então procure algo bom no outro. Até o mais desprezível dos seres, tem um lado bom.

Com isso, você não perde seu tempo, não invade o espaço alheio, não desgasta seus relacionamentos, não tem pessoas que você gosta se afastando ou sumindo da sua vida.

Mr. P

Empresário, administrador, jurista e escritor. Adora filosofia, psicologia, história e musculação. Crê que o "caminho da vida" é a busca da evolução perpétua. Escreve e responde dúvidas sobre os mais variados assuntos.

1 comentários No A Arte da Crítica

  • Uma coisa é o que ele faz com a esposa e outra coisa é o fato dela se incomodar diante dessa situação dele. O que ele faz, é dele e o incomodo dela é dela. Misturar isso e possível? Claro, mas com sensatez, ao mesmo tempo em que pode correr de tanta acidez.

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