Amor, via de mão única

Amor, ah, o amor…

Alex Paranhos
Alex Paranhos

Não há sentimento mais discutido e controvertido que o amor.  E o que é o amor?

Descrever, analisar, entender, reconhecer, ver, sentir, dar.  Há uma lista interminável de verbos e ações que conjugados com o amor, continuam gerando dúvidas ou polêmicas.

Você já amou? Tem certeza? Então me diga, como foi que, certa vez, se encontrava só, no meio do nada, e pensava que, agora sim, sabia o que é amar.  Se agora você sabe, significa que, da outra vez, quando pensava que amava, realmente, não sabia.  Difícil de entender? É o terceiro verbo da lista acima.  Entender o amor e suas facetas, sempre será muito difícil. E por quê?

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Bem, nunca cursei Psicologia, nem pretendo me passar por um profissional da área, mas anos de vivência e de observação, principalmente, fizeram-me acreditar em algumas coisas que hoje, considero como verdades.  Minhas, naturalmente.

Por que não tentamos juntar estes verbos com alegria ou tristeza, ou melhor, com felicidade? Quem se candidata a descrever, analisar, entender, reconhecer, sentir ou dar felicidade.

Certa vez ouvi uma história, cômica se não fosse trágica, que dizia que certo passarinho do hemisfério norte, fugia desesperado de uma casa, onde encontrara abrigo do frio e da neve, porque o gato da casa não o deixava em paz. E havia o risco de vida eminente. Ao sair voando pela janela, uma nevasca o pega de surpresa e o pobre animal cai sobre a neve já semicongelado, pronto para morrer. Uma vaca que passava, também fugindo do frio, evacua e suas fezes quentes caem sobre o passarinho. O moribundo se refaz com aquela súbita onda de calor e cheio de alegria começa a cantar, anunciando que vai sobreviver. Um gavião ouve o canto, desce e pega o passarinho em suas garras e o devora.


Triste, não? Mas vamos deixar a tristeza de lado e analisar alguns, entre os fatos narrados. Onde o pássaro era mais feliz? No conforto da casa, fugindo do gato? Na natureza livre, mas sujeito a nevascas? No meio de um monte de fezes quentes?

Viram? O conceito de felicidade é muito tênue. Depende de momento, de situações, de ambiente e até de uma necessária mudança súbita de valores. Em um determinado momento, estar sujo de fezes quentes, era realmente a maior felicidade. Tanta felicidade que se pôs a cantar.

Mas, não iniciei este texto, para falar de passarinho ou fezes. Queria apenas demonstrar que o conceito de felicidade é tão difícil, em certas ocasiões, quanto o conceito e reconhecimento do amor.

Tudo isso se deve ao simples fato, de estarmos lidando com sentimentos, que por características, são individuais e pessoais.

Lembro-me, quando era pequeno, cerca de nove ou dez anos, e me vi apaixonado por uma menina da escola.  Meus amigos, todos de idade próxima a minha, crianças como eu, me ridicularizavam dizendo, que amor era uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas.  Era minha primeira decepção com este sentimento tão puro.

Foi um de meus primeiros erros em relação a um sentimento. Na época, sabia o que estava sentindo, meus colegas, evidentemente, não tinham a menor idéia do que se passava comigo.  Meu sentimento era endereçado à minha pequena deusa. Talvez ela pudesse entender…

Sentimentos são pessoais. Você pode pedir ajuda, desabafar, mas terá que fazer com que seu receptor capte sua mensagem, senão, nada feito.  Temos que transmitir ao outro o que estamos sentindo. Se isso se aplica a terceiros, imagine demonstrar nosso amor, a quem realmente ele se destina.

Quando se fala de amor, surge um novo dilema. Não basta amar, temos que amar do jeito que nosso alvo entenda, receba e goste de ser amado. Ou será que só eu senti amor platônico?  Levante a mão quem nunca amou sozinho.

Se não soubermos demonstrar e passar nosso amor a quem ele se destina, vamos acabar sofrendo.  Sempre defendi a teoria do vínculo forte, pais, filhos, netos, irmãos.  Haja o que houver, o vínculo não se desfaz. Imagine o filho que só trouxe desarmonia, tristeza, angústia e dor a seus pais. Não vale nada este menino, diriam.  Mas continua sendo seu filho, seu fruto, você o trouxe ao mundo.

Mas há também o vínculo tênue. Mais fraco, rompível, quebrável. Infelizmente, é nessa classe que incluímos o amor.  Pode se romper a qualquer momento.  Temos que alimentá-lo sempre. Não deixar que se desfaça, nem que se perca.  Monotonia, brigas, discussões, enfim, não são fatos aleatórios. Foi a falta de alimento para o seu amor ou alimentação indevida e incorreta.

Cuide do seu amor. Sempre. Não deixe que morra, adoeça ou simplesmente se esvaneça. Só você sabe cuidar dele.

E por que mão única? Não me crucifique, não brigue comigo e nem fale mal de mim por aí. Tente entender a filosofia da proposta. Não concorda? Não tem problema, você leu e vai pensar. Quem sabe um dia não volta e me dá razão?

Quando você ama, apenas ama. Veja um pequeno estudo morfológico e sintático.  Amar, verbo intransitivo ou transitivo direto. Nunca bitransitivo, nunca reflexivo, como lembrar-se, por exemplo, e em algumas exceções transitivo indireto, como em amar a Deus.  Alguns estudiosos da língua defendem que, no caso, não é um objeto indireto, mas um objeto direto preposicionado, a Deus.

Bem, após este breve ensinamento sobre análise gramatical de um sentimento e antes que seja chamado de louco ou doido varrido, vamos retornar ao ponto de partida.

Se você só pode amar alguém ou alguma coisa, esta última uma situação muito rara, mas existem pessoas apegadas a bens materiais e que realmente amam seus carros, suas casas, suas conquistas. Realmente, é um sentimento de apego, mas amor? Sei lá, acho que é mais uma conotação que uma denotação.  Bem, vamos em frente.

Se você só pode amar alguém, o sentimento recíproco não é garantido, é subjetivo e desejado, ou como se diz, correspondido, mas não é troca, nem resposta. E aqui fica o âmago da afirmação inicial. E por que mão única?

Porque quando você ama, não há correspondência, é um sentimento ímpar, isolado, solitário.  Quando você é amado, e acho que é isto que você espera, na realidade, surge um novo sentimento ao qual chamo de felicidade, seria a reciprocidade em forma de sentimento.  Quando você deposita suas economias em um banco, você espera pela reciprocidade do banco, socorrendo-o nas suas horas de necessidade. Quando você consegue aquele cheque especial que vai lhe ajudar em algum objetivo, o banco espera sua reciprocidade em novas operações, onde obtenha mais lucro em cima de você, fora os juros exorbitantes do cheque especial que você vai pagar.

Aqui, no amor, não há reciprocidade, nem troca. Ame, deixe sua mente ou, se preferir, seu coração correrem soltos pelas ruas da imaginação.

Ame com toda força, sem esperar nada em troca, ela vem naturalmente, se houver amor da outra parte também. Deixe sua mente fluir e buscar a melhor forma de amar.  Um beijo, um abraço, um carinho mais íntimo, um cafuné, um simples toque no braço, um beijo quente no pescoço, um sexo gostoso.

Tudo conta, do beijinho na ponta do nariz ao orgasmo maravilhoso. Nunca esqueça que o amor é uma mensagem codificada.  Será que seu receptor a entendeu? Decodifique para ele ou ela.  Facilite. Aprenda a falar a língua do amor, ela é universal.

Tudo é válido para você amar, para você demonstrar seu amor, para você alimentar a plantinha que nasceu em você.  Não regue a planta dos outros, regue a sua, nutra a sua, desenvolva a sua e depois me escreva ou me diga. Ao receber, se receber, tudo isso de volta, você estará sentindo o que?  Felicidade ou recompensada?

Tomara que você esteja feliz, muito feliz e amando. Amando sempre! Seu vínculo tênue não pode se transformar em um vínculo forte, mas você pode sentir como se o fosse.  Inquebrantável, imorredouro, eterno enquanto dure posto que é chama, como disse o poeta Vinicius de Morais.

E nunca esqueça, quando você alcançar a via de mão dupla que você tanto almeja, esta avenida se chama Felicidade.

Boa sorte!!!

Alex Paranhos

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Carioca, 62 anos, corpinho de 60 e cabeça de 50. Feliz e disposto a descobrir novas felicidades em cada momento da vida. Há algum tempo, com minha experiência e vivência, resolvi me dedicar a observar as coisas, pessoas e acontecimentos, ao meu redor, utilizando este conhecimento para melhorar minha qualidade de vida, junto às mulheres, amigos, parentes, colegas de trabalho e às vezes até com pessoas que pouco conheço, usando apenas informações. E acreditem se quiserem, não é que começou a dar certo. Acertava quase sempre, quando emitia uma opinião. No meu casamento então, funcionou que foi uma beleza. Aprendi a ouvir minha mulher em assuntos que antes considerava como exclusivamente meus. Não que não erre ou não me machuque. Sou normal, tenho qualidades e defeitos, mas consegui ter um índice grande de acertos, conseguindo assim evitar cenas em que a DR (discussão de relacionamento) iria para o buraco, senão definitivamente, pelo menos temporariamente. Minha mulher aprendeu a não só respeitar o que digo, como a observar como eu, tudo o que se encontra a sua volta. Casado há dois anos, depois de seduzido e sequestrado por uma baiana. Um metro e meio de pura sedução e gostosura. Vou repetir, estou feliz. Muito feliz. Três casamentos, quatro filhas e um casal de enteados dão-me a vivência necessária e suficiente para me associar ao Doutor Neurônio e participar deste blog. Afinal, graças às nove mulheres de minha vida (quatro mulheres - esposas -, quatro filhas e uma enteada), sem contar minha mãe e irmãs, posso garantir que ninguém conhece mais bolsas e sapatos que eu. Sei exatamente quase tudo o que elas querem, seus desejos de consumo, seus sonhos e até mesmo o tipo de surpresa causada por cada presente. Se chegarmos à parte de roupas íntimas, desde que conheci algumas marcas famosas (só dou as marcas se patrocinarem o blog), acho que sou quase imbatível. Maduro e consciente das necessidades delas vejo hoje a felicidade de minha mulher, quando saio com ela para as compras, seja para comprar uma maquilagem ou um biquini. Defendo a teoria que não vou deixar de olhar uma mulher bonita, mas que prefiro a honra de estar ao lado de uma igual ou melhor. Sei, também, que poder dar presentes é uma situação a que nem todos os homens estão dispostos ou disponíveis, indo desde a falta de dinheiro, fácil de entender, até a falta de interesse, que não é e nunca será aceita por ninguém, muito menos pela pessoa com quem ele se relaciona. O que custa levar uma bijuteria de R$ 2,00, para quem você ama? Sabe o que ela vai pensar? Que você não parou de pensar nela, e isto é bom para vocês dois. Com base no livro do terapeuta americano, John Gray, “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus”, estou escrevendo “Eu Falo Venusiano”, onde procuro mostrar aos homens que depende deles, ou melhor, de nós, dar a quem amamos o máximo de felicidade que pudermos. As críticas ao comportamento masculino em alguns trechos são profundas e simples, como a lembrança da gentileza ao abrir a porta de um carro. Não importa se o controle remoto de seu carro é o mais moderno do mundo, quem deve abrir a porta do carro para ela entra, é você. Outro assunto abordado é por que mentir para conquistar alguém e quando consegue seu objetivo, mostrar que tudo não passou de uma mentira... Por quê? Se você lembrar que suas mentiras o levaram a atingir seu objetivo, nada como investir em fazer crescer o relacionamento que você fez de tudo para começar. Se entregar ou não no primeiro encontro levantou a maior polêmica entre as pessoas consultadas e entrevistadas. Este item me tomou muito tempo, pois foram quase 1.500 depoimentos. Uma população que me dava a base necessária para apoiar minhas teorias sobre o assunto. Quer saber? Compre e leia o livro. Em breve nas livrarias. Alex Paranhos

3 comentários No Amor, via de mão única

  • Patricia Nascimento

    Olá, tudo bem?

    Li o texto citado acima, escrito pelo senhor, e por estar vivendo um turbilhão de sensações no momento, surgiu-me uma dúvida: acredita mesmo ser o amor, não necessariamente uma promessa de felicidade? A felicidade conquistada nos relacionamentos amorosos, só acontece quando há comunhão? Ou seja, há equilíbrio na dedicação de ambos?

    Desculpe-me pela quantidade de perguntas, mas elas ficam martelando minha mente…

    Abraços, Patricia

  • pensei em comentar.

    não, não gostei.
    já amei de mão única e ainda faço isso e a única coisa que me parece que recebemos em troca, muitas vezes é um: não te pedi isso.

    amar de mão única não nos faz bem.
    não nos deixa bem, nos deixa um vazio, já que você dá um pouco, às vezes muito, de si e nada recebe…
    nada pedir em troca é não amar si mesmo, não achar-se merecedor do que dá. é um tipo de mutilação. existe um ditado que diz e que eu acho correto: “cada um ama do jeito que precisa ser amado”…

    sentir-se nas nuvens amando assim é voar bem alto, pra depois cair e quebrar todos os dentes no chão… e depois? dar um sorriso banguela e sanguinolento e dizer: eu amei sem nada pedir em troca.

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