Ano “Novo” ?

Olá Dr.,

Acabo de entrar nos “inta”, idade um pouco complexa, principalmente para mulheres. Momento de muitas reflexões. E uma das minhas reflexões hoje é: já não passou da hora de casar não é rapazinho? Namoro há 13 anos, meu primeiro namorado e todo resto. Após o falecimento de minha mãe em 2003, se tornou minha base e pilastra. Portanto, um grau de “dependência” significativo.

Um namoro cheio de altos e baixos, idas e vindas, diferenças de criação, diferença de personalidade e opiniões. Há, sim, muitas coisas em comum, há sentimento, há sintonia, mas sinto que estou remando contra maré e estou perdendo as forças nos braços. Então de certo modo larguei os remos e deixei a correnteza levar.

Eu não sou perfeita e tenho defeitos como qualquer ser humano normal, mas também tenho qualidades e é justo que uma pessoa tenha as qualidades reconhecidas. Não sei mais o que é isso há um bom tempo e já até as coloquei à prova diversas vezes. Mas vamos às qualidades dele: é um cara engraçado, com um coração enorme. Bondoso quando necessário e pra quem precisar. Determinado e com uma lábia que conquista a todos. Dedicado à família dele e ao trabalho.

O caos: ele é machista ao extremo, foi criado assim, o inverso de mim. Do tipo que mulher é feita pra ser dona de casa, sabe como é. É diplomado e mestrado na arte de inverter as situações. Mesmo ele estando errado, consegue fazer com que no fim eu peça desculpas. Zero iniciativa em muitos sentidos: na ajuda em casa, na tomada de decisões…

 Não temos vida social como casal, mas ele mantém a dele como solteiro. E pra ele isso é maravilhoso, porque eu não tenho vida social, não tenho amigos há anos, porque de certo modo ele fez com que eu me isolasse de tudo e de todos. Ele tem seu fim de semana com os amigos num barzinho e tals e eu em casa fazendo faxina…

Fazendo uma pesquisa há uns anos atrás, li algo sobre Síndrome de Personalidade Narcisista. Muuuuuuuitas coisas se encaixaram. Ele foi morar comigo em fevereiro deste ano, porque brigou com o pai. Inevitavelmente, pensei – agora vai. Se não casar no papel, pelo menos estamos ensaiando. Criei expectativas, mas venho me frustrando a cada dia.

Casamento mesmo, ele não quer, mas quer ser pai. Pode um negócio desses?! Recebo críticas quase todos os dias. Mas quando faço um questionamento, escuto: “não sou casado com vc”, “moro aqui temporariamente”, “por isso que não caso…”.

Enfim, tenho consciência de que boa parte disso tudo que acontece é por minha culpa, porque permiti desde o princípio e não censurei quando devia.Tudo bem que entrei numa enrascada também, afinal ele foi criado assim e não dá pra mudar a cabeça de um caboclo de quase 33 anos na cara, delicado como um elefante e que nunca recebeu de ninguém incentivo ou apoio pra casar.

Mas numa relação tem que haver concessões e adaptações de ambos, não é mesmo? Eu prezo e tento praticar muito a empatia, sabe Dr, ele desconhece essa palavra e não aceita conhecer. Não se importa muito com o que eu penso, pois o que vale é o que ele fala e faz.

To cansada. O amo d+, mas deixei de viver e ter uma vida normal, pra me adaptar a ele. A solução mais simples e prática é terminar essa relação, mas existe em mim uma esperança teimosa e insistente que se junta com o amor, faz um complô com o comodismo e o costume, o medo na ali na liderança… E a coragem vai pro brejo.

Enfim, é a primeira vez que falo isso pra alguém virtual. Sei que preciso de ajuda e me ajudar acima de tudo. Quem sabe estou começando por aqui. Abraços e parabéns pelo blog.


Olá A.,

Grau de dependência significativo? Uhhh, largou os remos e deixou a correnteza te levar? Precisa ficar exigindo para que suas qualidades sejam reconhecidas? Machista ao extremo? Inverso de você? Mesmo estando errado faz de tudo para inverter a situação? Você não tem amigos há anos? De certo modo ele fez com que você se isolasse do mundo???

Parei…acho melhor não ir adiante porque a situação está mais que crítica, tensa, complicada, mas ao mesmo tempo clara e objetiva.

Cara leitora, leia o meu primeiro parágrafo, use o bom senso (e olha que nem estou exigindo que você tenha ao menos o ensino fundamental completo) e tire as suas próprias conclusões, quais seriam?

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Pense bem, ele foi morar com você porque brigou com o pai. Eu pergunto: Onde você entra nessa história a não ser como aquela pessoa que ofereceu um teto e nada mais? De onde você tirou a idéia que uma briga com o pai significa casamento? Ou a consolidação de uma vida a dois? Que nem a dois é na verdade porque nessa situação ai tem somente um, ele e ponto.

Ele mora com você, você recebe críticas todos os dias e quando faz algum questionamento ainda é “obrigada” a ouvir do fulano que ele não é casado com você? Ahhhh tem alguma coisa errada aqui e com certeza não é ele que tem alguma síndrome, ele é do jeito que é e ponto final, agora e você? Diz que está cansada e o ama demais? Espera um pouco, das duas uma, ou o amor mudou totalmente o conceito e eu não fiquei sabendo ou estamos falando de coisas totalmente diferentes. Que amor é esse? Aliás, o que é o amor pra você?

Você tem esperança (até esse conceito acho que não entendi direito qual é) teimosa, insistente em conformidade com comodismo (credo, só de pronunciar isso me dá mal estar) e costume e ai entra o medo para completar o quadro?

Cara leitora, o que você quer para o próximo ano? Aliás, nem exigirei tanto da sua mente, mas lhe pergunto novamente, o que você quer para o próximo instante da sua vida? Tudo isso é muito triste, 13 anos não são três meses e você ainda insiste em algo que não lhe traz absolutamente nada além de tristeza e insatisfação pessoal. Você até pode dizer que tem coisas boas (vou fingir que acredito), mas se isso fosse realmente compensador você não nos escreveria. Fico imaginando o tipo de pessoa que você se tornou e logo visualizo um cenário cinza, com pouca luz, e você como a única pessoa presente na cena, sentada, mal vestida, olhando para baixo e achando que um dia as coisas podem ser diferentes.

Sinto lhe dizer, mas vamos ao Diagnóstico atual (porque talvez possa ser diferente): Calabouço perpétuo na masmorra da insanidade emocional.

Até mais!!

Márcio Oliveira

ma[email protected]
Meu Blog: As Palavras

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Psicólogo, consultor de relacionamentos e quase Mestre pela USP-SP. Meio NERD, completo romântico, mas não abre mão de um intenso beijo na boca e um alinhamento entre coração, corpo e mente.

3 comentários No Ano “Novo” ?

  • O importante não é casar e sim ter um companheiro que a faça feliz. Se ele estivesse te fazendo feliz o “casamento” não seria o problema.
    Não importa se você estiver “sozinha”, pior é “sozinha acompanhada”.
    Nem pense em levar um relacionamento assim adiante e ter filhos, você ficará presa, na solitária!
    O perfil deste “homem” não é normal…
    Viva um “Ano Novo”!

  • Como o Márcio disse, basta você reler o seu próprio texto… vc não usou nem um parágrafo inteiro pra falar das coisas boas dele e em todo o resto vc citou os pontos negativos dele e da relação de vcs…
    Na minha visão, vc está passando pela famosa “crise dos 30″… o relógio biológico está gritando aí… mas qual o seu medo? “Ficar pra titia”? E pra tentar “maquiar” esse seu medo você vai manter essa relação que só está fazendo mal?
    Pra quê? Pra daqui a um ou dois anos você ter que tomar uma decisão que pode ser tomada agora com menos sofrimento? Pra você posar de “família feliz” pra todo mundo e poder dizer “sim, eu casei” mas chorar todas as noites pq se deu conta de que não ama mais esse homem? Pra você ter que mentir pros seus filhos dizendo: “papai e mamãe se amam e vão ficar juntos pra sempre”? Pra aparecer outra pessoa na sua vida e você se dar conta de que “perdeu tempo” com quem não merecia e já é tarde demais?
    Saia do padrão! Não siga as regras!
    Eu tenho 25 anos e to solteira… quando vou pra casa de familiares a primeira coisa que me perguntam é: E aí, não ta namorando? Sabe o que eu respondo? Não… pra ficar com alguém só pra mostrar pros outros que eu to acompanhada, por aparência… prefiro ficar solteira. Não preciso de homem pra ser feliz, pra aumentar meu ego… Quando aparecer alguém que ao invés de querer me dar felicidade seja feliz junto comigo, seja meu companheiro e não meu “dono” ou um mero “acompanhante” este sim será merecedor de todas as honras e aí a gente casa… aos 30, aos 35, aos 40… não importa “quando”, o que importa é “como”.

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