É amor?

Meu nome é G., tenho 27 anos e uma filha de 9 anos, durante 7 anos morei sozinha, tive alguns relacionamentos curtos e longos mas nada que provesse frutos, estou a me formar em Engenharia de Produção no final de 2010, tenho uma emprego de que eu gosto muito e tenho me dedicado bastante, me realizei no trabalho, nos estudos, e tenho conseguido muito coisa com a minha luta e perseverança, conquistei a compra de meu carro, mas ainda pago aluguel.

Em meados de Julho de 2009 conheci um rapaz através de uma amiga que eu não via a muito tempo, este rapaz chama-se C. , 30 anos, assessor da câmara municipal de um vereador, também toca em um grupo de samba a muitos anos, me encantei com seu jeito, aceitei um convite de sairmos juntos no dia seguinte, e começamos a nos relacionar, estávamos sempre juntos, rindo, curtindo, em todos os lugares ele costumava a me levar, me sentia importante ao lado dele e enfim amada.

No final do mês de Julho ele teve uma briga séria com seu padrasto que o expulsou de casa, ele estava dormindo na casa de tios, às vezes ficava dentro do carro, e às vezes ele dormia comigo em casa, passou a dormir mais em casa em minha companhia, foi quando chamei ele para viver comigo, pois nos dávamos bem e gostávamos da companhia um do outro, de repente as coisas começaram a mudar, como ele fazia shows quase diariamente era um homem da noite e sempre foi livre sem compromissos duradouros ou que tivessem responsabilidades maiores, começamos dividindo as despesas, eu continuei a pagar o aluguel e ele com o restante das despesas, água, luz, despesa, gás e diversos, estávamos tão felizes, eu sempre chegava do serviço antes de ir a faculdade, saltitante e alegre para poder lhe dar um abraço apertado e um beijo, sempre o encontrava em casa me esperando depois do serviço, preparava sua janta e saia em seguida para a faculdade, as vezes cheguei a não ir para lhe fazer companhia.

Um dia, enquanto conversávamos na sala, seu celular tocou e vi o nome de uma mulher, ele não quis atender o celular e depois eu descobri que era uma ex que ele havia tido um relacionamento duradouro e complicado, saímos uma vez juntos e o celular tocou novamente e era a mesma mulher, um dia o celular dele vibrou era uma mensagem e eu acabei pegando para ver, era uma mensagem dela dizendo o quanto ele era especial para ela, aquilo me chateou muito, acabei não falando nada para ele, mas no dia seguinte acabei contando que eu havia visto a mensagem, ele ficou furioso que eu havia mexido em seu celular, e acabamos discutindo no telefone, as coisas começaram a se modificar então, comecei a sentir ciúmes, e ele começou a sumir de casa, saia voltava a hora que queria, não jantávamos mais juntos, não estávamos saindo mais juntos, e as mágoas começaram a aparecer, sei que fui errada em mexer no celular dele,mas sentia que os amigos dele e a vida dele lá fora tinham mais importância que nossa vida juntos.

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Ele escondeu das amigas dele que estava casado, alguns amigos mais próximos sabiam e eu os conhecia também, pela falta de companheirismo dele comecei a ficar depressiva, a cobrar companhia para tomar café, almoçar, jantar, nos fins de semana ele acordava e ia direto pra rua, eu sempre ligava pedindo para que ele me desse atenção, fosse me buscar para eu poder me distrair também onde ele estivesse, parecia uma criança implorando por atenção, como isso me machucava e fazia eu me sentir inferior, os dias iam se passando e as coisas piorando, eu tentava conversar mas ele dizia que eu o sufocava, que ele não queria jantar, ou almoçar comigo, que ele não gostava de se sentir preso, mas eu não queria prendê-lo mas sim ter momentos incomuns as vezes juntos, eu queria um casamento de verdade, e ele a liberdade, mesmo com essas atitudes sempre tivemos uma vida sexual saudável, e os carinhos apesar de tudo existiam, tínhamos planos de filhos, cheguei a parar de tomar remédio para engravidar.

Na semana do natal acabamos brigando, fiquei o dia 24 inteiro sozinha, depressiva e chorando muito, ele não se importava, parecia que era de propósito que ele me judiava, ouvi tantas coisas dolorosas dele, dizendo que ia ficar com outra mulher na minha cara, peguei mais uma mensagem no celular dele de uma outra ex, o chamando para tomar um chop, me deixou tão triste, disse a ele novamente e o mundo então caiu, ouvi barbaridades que jamais eu imaginei ouvir da pessoa que dormia ao meu lado todos os dias, disse isso a ele, passamos o natal estranhos um com o outro, no dia de ano novo brigamos novamente, fomos para a casa da avó dele e fizemos as pazes, ficamos bem e passamos um dia maravilhoso juntos, ele bebeu, e cada um estava com seu carro.

Quando estávamos vindo embora o meu celular ficou com ele, e ele acabou vendo que eu anotei o numero da moça que havia convidado ele para tomar cerveja no meu celular, nossa aquilo gerou uma briga terrível, brigamos pelo celular, dirigindo, eu atrás dele, ouvi tanta coisa triste, ele dizia que não me queria mais, que tinha raiva de mim, que ia embora de casa, que não me suportava mais, quando eu desisti de ir atrás dele, e estava a caminho de casa na avenida e chovendo muito, já estava desnorteada por tudo o que eu ouvi e antes de bater o carro ele me disse a frase ‘’EU TE ODEIO’’, como aquilo me machucou, foi tão fácil ele dizer com naturalidade aquela frase que me feriu profundamente, perdi o controle do carro na chuva e acabei batendo, com a graça de deus não me machuquei e nem a ninguém, ele chegou em seguida, me tirou de dentro do carro, eu chorava muito e tremia muito, chamei o guincho e esperei o guincho chegar dentro do carro dele.

Ele não disse uma palavra, o tio dele chegou a pedido dele e ficaram conversando num bar e bebendo mais, conversei com o tio dele, e ouvi a seguinte frase ‘’VC NÃO PRECISA DISTO’’, tem razão eu não preciso mas meu amor ainda é maior que minha razão, o que fazer pra lutar contra isto? Fomos embora pra casa, entrei no chuveiro e ele acabou entrando comigo, me abraçando e dizendo que gostava muito de mim, olhei para ele e disse ‘’ Não preciso que goste de mim, preciso que me ame, e você não tem amor por mim’’, ele não acreditou quando eu disse a ele que eu não havia ligado para a moça, que eu só havia o n° dela, mas eu não teria coragem de ligar, não é do me feitio fazer isso, fui muito humilhada e machucada aquele dia, o valor que ele dá a pouca coisa é maior que o valor de nossa vida juntos, maior que o nosso amor, acabamos dormindo aquela noite, quando acordamos fomos a delegacia abrir um boletim para o seguro cobrir meu carro, ele já estava completamente diferente de quando ele dormiu, distante e frio, resolvemos o que tínhamos que resolver e voltamos para casa.

Chegando em casa ele queria ir para rua mas havíamos combinado de conversarmos e tentar nos entender, mas ele já havia mudado de idéia, não queria dialogar e começou a me ofender novamente, acabei não deixando ele sair, brigamos, e depois acabamos ficando em casa ainda brigados, foi tão difícil essa fase, fiquei sem carro, eu estava usando o carro dele para ir trabalhar, mas a situação estava piorando ao invés de melhorar, ele começou a chegar as 5 da manha em casa, e um dia quando ele chegou eu havia perguntado onde ele estava e simplesmente tive como resposta não interessa, você não tem nada a ver com a minha vida, acabamos brigando feio, ele disse que ia embora e desta vez ao invés de eu implorar para que isso não acontecesse eu disse pra ele ir, comecei a empurrá-lo para fora, ai ele me disse que estava na mãe dele, custava ele dizer isso na primeira vez que eu perguntei, me machucar passou a ser seu divertimento, ele foi embora com algumas camisas e eu pedi para que voltasse a pegar o resto no dia seguinte, pois eu não estava mais em condição de nada, parecia que o meu mundo ia desabar e desabou, chorei muito, a noite toda, não consegui dormir, liguei para minha mãe, chorei, liguei para mãe dele para saber como ele estava e se estava em casa, quando foi 3 hrs da manha acabamos nos falando e ele pediu para ir pra casa, claro que eu disse sim, quando ele chegou ao invés de conversarmos fomos dormir, no dia seguinte ele veio me trazer na empresa, e continuamos juntos e sem conversar sobre o que havia acontecido, tivemos duas semanas depois uma briga dolorida novamente, fomos a um samba juntos, e acabei falando a ele uma frase infeliz que ocasionou uma discussão, fomos embora e mais uma vez eu ouvi barbaridades, acabei falando um monte de coisas também, fomos a uma pizzaria para conversarmos e conseguimos nos entender.

Eu pensei que depois daquele dia as coisas seriam diferentes, ele disse que se ajudaria, e nos ajudaria e claro que eu também concordei, a paz durou 1 semana e num fim de semana ele acordou e saiu num domingo, eu pedi para ir com ele, já que ele disse que iria pra casa da avó dele, pedi a ele para não me deixar sozinha, me levar junto pois eu queria muito sua companhia, acabamos indo para a casa da tia dele, e lá ficamos todos juntos a mãe, irmãs e tia e tio, mas o tratamento dele comigo estava frio e distante, ele não estava feliz com a minha presença, um amigo dele chegou e então ele saiu sem me avisar nada e ficou a tarde toda na rua e me deixou sozinha, almocei sozinha, até o fim de tarde sozinha, conversei com a tia dele e com a mãe, chorei muito, a mãe dele me disse que ele sempre foi assim, que as coisas se não acontecesses do jeito dele era motivo do mundo ir a baixo, quando ele chegou, me abraçou, me beijou como se nada tivesse acontecido, eu fiquei calada e quieta, estávamos indo pra casa e eu pedi para conversar com ele, eu tentei explicar a ele que eu fiquei chateada, tentei mostrar a ele que o que estava acontecendo estava errado, que nós precisamos ser uma família de verdade, que eu o amava muito e queria que nós nos déssemos bem, mas ele não queria ouvir, falar comigo, começou a se irritar, dizia que tinha que ia fazer um samba, mas não tinha samba ele só queria ir pra rua para não ter que ficar comigo, sai do carro chorando muito, e disse a ele que eu desistia, que não dava mais, sentei na mesa da cozinha baixei a cabeça e chorei muito, ele subiu atrás de mim e eu acabei não querendo falar com ele, ele foi pra o carro, eu desci na minha mãe para pegar as nossas roupas que eu iria passar roupa, quando eu subi ele estava pegando todas as coisas e indo embora.
Meu deus meu mundo acabou quando vi aquilo, não era necessário, tentei conversar pra gente se entender, mas o que ele fez foi ir embora, que triste aquilo, acabei não pedindo para ele ficar e furiosa briguei com ele, dei o resto das coisas pra ele, acabei pegando o cel dele e jogando no chão, disse a ele que eu queria que ele morresse, fiquei tão magoada e ferida que minhas atitudes não eram condizentes com o que eu sentia de verdade, eu só queria meu amigo, amor e companheiro ao meu lado, para acordamos e dormirmos juntos como fazíamos, como sofri, vim trabalhar na segunda de ônibus, chorei muito na fabrica, deixei de comer, não dormis mais, eu tinha muitos pesadelos e sonhos ruins, só chorava, na terça-feira ele se reaproximou e eu deixei, me levou para o serviço, eu pedi para ele voltar, e o mesmo disse que precisava de um tempo, tinha dias que ele dormia em casa, e dias que não dormia, os dias iam se passando e eu sofrendo mais, e ele se acostumando com a situação, o grupo que ele toca fez uma festa e eu não pude ir, fui excluída, ele me disse que se eu fosse, ele teria que me dar atenção, ficar comigo la, e eu iria atrapalhar, ouvir isso foi muito triste, me senti excluída é muito difícil.

Na segunda feira não conversamos, pois ele não me atendia mais, só falava comigo quando era de sua vontade, e eu sempre a disposição de sua vontade, cometi um erro permitindo que ele usasse do meu sentimento para me manipular, mas meu amor era tão grande que eu permitia isso. Na terça fiquei doente, liguei para ele poder me levar ao hospital, mas foi em vão, eu já não era tão importante pra ele, pedi para um vizinho me levar, este vizinho ficou comigo no hospital ate uma hora da manha, então o Clayton foi para lá esperar eu sair para me levar para casa, como fui maltratada, eu estava precisando de um abraço, um colo, e ele não quis chegar perto de mim, me disse tantas coisas tristes, me machucou tanto, não sei como agüentei tudo isso, precisa ser amor pra superar, fomos embora e ele se quer me olhou ou me tocou.

Chegando em casa ele entrou, tomou um banho e dormiu em casa, sem conversar comigo e virado pro lado, acordou e saiu pra trabalhar, eu fiquei, chorei muito, queria entender o porque de tanta dor, e desprezo, quando foi meio dia ele me liga perguntando se eu havia feito almoço que ele queria almoçar comigo, levantei tão feliz e fiz almoço pra ele, ficamos juntos almoçando, passamos a tarde juntos, fizemos até amor, nos dia seguinte ele nem se lembrava de mim, emagreci 4 kgs em 5 dias, chorava muito, fiquei 1 semana afastada da fabrica, só com atestado, esta semana ele me judiou muito, eu ligava e ele não me atendia, me falava barbaridades e eu ouvia calada e ainda pedia perdão e dizia que o amava, ele me perguntava onde estava o meu amor próprio, ele tinha razão, eu não estava me amando, mas a mulher sabe até onde ela deve ir e quando deve parar de lutar pelo o que ela acredita, e eu acredito que ainda devo lutar.

Fiquei muito mal, minha mãe ficou preocupada comigo, quando foi no sábado ele me ligou convidando para ir num show que ele iria fazer e então toda feliz aceitei, arrumei meus cabelos, fiz as unhas e coloquei uma roupa bonita e o melhor perfume, então saímos juntos, conversamos normal, ele simplesmente agiu como se nada tivesse acontecido, me beijou normal, me abraçou normal e assim ficamos, fui levada pra casa e cada um seguiu seu rumo, no dia seguinte saímos novamente, mas não teve o show foi cancelado, ele me deixou em casa e seguiu seu caminho, começamos a conversar todos os dias, eu pedi e peço a ele sempre me dizer que ele quer da vida, qual sua decisão, pois eu ainda tenho sonhos de ter uma família e filhos com ele, de voltarmos a viver juntos, mas ele sempre foge do assunto e das respostas.

Não sei o que fazer, minha razão diz para eu me afastar, mas meu amor diz para continuar tentando, mas as feridas continuam se abrindo, e o desespero aumenta, tenho me defendido mais, não estou aceitando mais as coisas que ele faz, tenho retribuído foi a forma que encontrei para me defender, tenho rezado muito para Deus tirá-lo do meu coração e colocar em meu caminho um bom homem e me dar uma família para eu cuidar, mas ele ainda esta em minha vida, eu o amo mas tenho sofrido muito, faz tempo que não sou beijada, tenho ganhado somente selos, faz tempo que não ouço uma palavra de amor enquanto fazemos amor, me faz falta me sentir verdadeiramente querida e amada, desejada, quando tento falar com ele só pra dizer um oi sou agredida com palavras, e desta ultima vez que foi ontem, fui chamá-lo no radio só pra falar um oi e que eu estava saindo de casa pra ir a faculdade, ele ficou bravo dizendo que eu não paro de ligar e que ele estava trabalhando na puta que pariu, poxa era necessário isso mesmo, fiquei nervosa, e acabei perdendo o respeito por ele, xinguei e disse para ele sumir da minha vida pois eu não agüentava mais ser maltratada por ele, falei o que eu deveria falar, as grosserias dele sem motivação machucam muito.

Não atendi mais o celular quando veio uma mensagem ‘’ME DESCULPE, EU ESTOU NERVOSO E NÃO QUERIA TE MAGOAR’’, ele fala para depois pensar no que falou, retribui a mensagem ‘’NÃO QUER MAS MAGOA MUITO, JÁ TO SOFRENDO COM TUDO O QUE ESTA ACONTECENDO, NÃO TO MAIS SUPORTANDO ISSO, PRECISO ME SENTIR AMADA E QUERIDA E VOCÊ DESCONTA SUA RAIVA EM MIM’’, depois disto não nos falamos mais, ele que sempre estava dormindo em casa simplesmente não foi para casa, dormiu na cada dele, que é pra onde ele voltou não liguei pra ele hoje de manhã, e por volta das 10hrs ele me liga pra falar do advogado para o caso de pensão da minha filha, falamos sobre isso e simplesmente não tocamos no assunto nós, decidi não procurá-lo mais, e quando ele tiver se decidido ele me procura, pois não quero mais me sentir usada, esta cômodo pra ele estar ao meu lado sem responsabilidade nenhuma, dorme a semana toda em casa como seu fossemos marido e mulher e não decide o que quer da vida, por favor me ajude, minha cabeça esta ruim, estou padecendo, e sofrendo muito.
Att,
G.



Olá G,

Realmente posso lhe dizer que sua história é intensa, bela e em muitos momentos tristes, mas que se tornaram muitos pelo fato de até o conceito de amor ter sido ofuscado por outras questões. Eu explico.
Lendo seu depoimento foi justamente um questionamento que me veio à mente. “O que é o amor!?”, e mais especificadamente: “O que é o amor para você?”. Concordo ao ponto de perceber que não é algo produtivo definir o amor, logo ele que é um sentimento grandioso, sem medida, íntegro, vasto, simples e singelo.

Mas trago essa reflexão para justamente você pensar sobre como o seu percurso foi marcado por um lado pela busca do amor e por outro por uma angustiante situação que lhe mostrou o contrário de um amor. Agora poderíamos pensar, mas por que?

Vejo muitas coisas positivas em tudo que disse. Você se doou de corpo, alma, casa, comida, tempo, enfim. Amar implica nisso, doar. Mas doar por simplesmente doar. É claro que no mínimo, em termos de relacionamento, você teria que ter de volta algo que percebo que não é praticado por muitos casais, a lealdade.

Embora no dicionário a palavra lealdade esteja ligada à sinceridade, sua dimensão tem proporções grandiosas e envolve muito mais do ser humano do que somente a sinceridade. A lealdade é verdadeiramente considerar, reconhecer, sentir o outro que está do nosso lado como ser humano e com isso ter um sentimento de querer o bem, estando com a gente ou não.

A frase do tio dele que diz: “Você não precisa disso” é bem interessante e você mesma sabe disso, que ninguém precisa de alguém que nos faça sofrer. Diante de tudo que contou, é nítido que houve todo um investimento emocional nessa relação, mas é importante pensar até onde vale a pena para você “lutar”, porque quem disse que tem que ser uma luta? Creio que amor acontece, não precisa que sejam criados cenários, encantamentos, receitas e tudo mais e que o melhor termômetro de uma relação para saber como ela esta indo é justamente a convivência e isso você teve de sobra não é? Veja como muitas respostas você tem em suas mãos. Entendo que você se identificou com ele que sente algo forte, mas até que ponto isso é válido se há todo um sofrimento por trás desse suposto amor?

É importantíssimo G. perceber que amar é deixar livre quem a gente ama porque não somos responsáveis pelas escolhas do outro, se ele quer outra coisa para a vida dele que não seja aquilo que você quer, não há como culpá-lo porque você pode escolher não estar com ele. Pode ser dolorido pensar nisso, mas se você não pensar na preservação da sua vida como sujeito, mulher, humana, mãe, quem pensará? E se não pensar nisso, como abrir portas para um amor verdadeiro? Porque o que foi criado foi uma prisão onde você ficou a mercê de si mesma, digo si mesma porque é importante sentir o amor, mas até onde ele nos faça feliz, o que é bem diferente de dificuldades vivenciadas por um casal, isso todos temos, mas se há um bem comum, um querer bem com respeito, atenção e humanidade, as dificuldades se tornam pequenas ou apenas eventos passageiros que nos trazem aprendizado.

Você pode gostar, amar, mas não se apegue. O apego nos traz um sofrimento porque fechamos os olhos e acreditamos que só aquela pessoa pode nos trazer felicidade em nossa vida, e a felicidade não é algo que vem de outro lugar, de fora de nós. A partir do momento que pensamos nisso colocamos uma carga muito grande de responsabilidade nos outros e no mundo e as frustrações e ilusões acabam não tenho medida. Não há problema algum você insistir em um relacionamento, tentar é algo que vem do coração, mas de maneira alguma isso justifica permitir ser alvo de situações de desrespeito onde imperam ofensas, descaso. Será que essa é a proposta de um sentimento chamado amor?

Inclusive você o “prendendo” dessa maneira em seu sentimento acaba lhe fazendo mal porque ele não corresponde e também faz mal a ele que talvez poderia caminhar por outro rumo onde quem sabe ele possa ter um aprendizado disso tudo para justamente pensar na responsabilidade que é em estar com alguém, compartilhar sonhos, teto, sentimentos, mas isso é com ele e a vida e se ele não quer pensar nisso agora, ninguém há de convencê-lo disso, mesmo porque, certas coisas do coração não são para servirem de argumento para convencer alguém de alguma coisa. Certas coisas se sente, se vive, se é.
Cuide-se e já que isso te toma tanto por dentro, procure um espaço onde possa haver uma reflexão maior disso tudo, procure um atendimento psicoterápico, pode ser algo que lhe acrescente e lhe dê suporte nesse momento triste.

Até mais!!

Márcio Oliveira
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comentários

Psicólogo, consultor de relacionamentos e quase Mestre pela USP-SP. Meio NERD, completo romântico, mas não abre mão de um intenso beijo na boca e um alinhamento entre coração, corpo e mente.

3 comentários No É amor?

  • Nossa Tati, caramba é muuuito verdade o q vc disse!! Eu me matava de sofrer também, achava que isso fazia parte do amor. Mas não… O amor traz momentos ruins sim, pq quando vc ama os sentimentos são todos em dobro mas o amor só existe quando te faz FELIZ a grande maior parte do tempo, que te deixa bem! Quando só nos faz sofrer todo o tempo já não é mais amor… E é aí que temos que ter força para superar e conseguir sair da situação.

  • acho que acabamos nos convencendo de que é amor e por essa certeza vamos até o fim.
    mas se nos faz mal, se nos fere, se é um sentimento que repetidamente nos faz chorar, será que simplesmente não ficamos repetindo pra nós mesmos que é por amor nossas atitudes e, no entanto, elas fazem a gente sofrer cada vez mais… já ouvi uma vez que isso é amor ao sofrimento, e a pessoa a quem estavam falando era eu mesma, então isso não pe crítica…
    até que ponto o amor é doação? sacrifício?
    em que linha paramos de amar e começamos apenas a sofrer e a ele nos apegamos?

    e, ó céus… porque ele fica mandando mensagens a ela ainda? seria mais fácil se uma das partes simplesmente visse que a outra sempre vai buscar uma maneira de chegar de volta, e evitasse qualquer contato.
    e, sinceramente, querida.. namorado que fica recebendo convite de ex pra sair e não dá um basta nisso, pra mim, é alguém que gosta de ter reservas no banco… pro caso de necessitar, não ter que sair caçando de novo. sei que talvez não seja o momento de pensar nisso, mas, porque ele não dispensou as ex dele?

  • Ah se você não se amar primeiro, ele jamais o fará. =]

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