Entre prazeres e desprazeres. – Uma das antíteses existenciais.

Boa Tarde!

Gostaria de lhe perguntar algo sobre  sexo em relacionamentos.
Sou uma mulher madura, de 33 anos, com vida sexual “quase” ativa no momento.
Já tive vários parceiros sexuais, nem sei mensurar quantos, sempre fui mais “tarada” ou “bem tarada” sexualmente. Nenhum homem me satisfez de verdade até os 28 anos de idade.
Sempre namorei, mas, tinha sempre um parceiro – amante para as horas vagas…. não consegui ficar mais de 4 dias sem sexo.
Como meus namorados sempre eram de fora, tinha que ter outros aqui para substituí-los.
Eram relacionamentos casuais de verdade, apenas sexo…. às vezes nem beijava os homens, somente o prazer.
Eles sabiam que eu os usava e mesmo assim, todos me desejavam…. queriam que eu largasse meus namorados para ficarem com eles. Sempre escolhi meus parceiros pela compatibilidade sexual. Não havia outra característica que me fizesse ficar com um homem…. relevava tudo por isso.
Os meu namorados oficiais ficavam sempre incomodados com a minha vontade sexual e por insegurança, tentavam me rebaixar como mulher. Sempre que estávamos em três ou mais pessoas, ele me criticava na frente de todos, principalmente dos homens. Como sempre fui vaidosa e me cuido demais, não me importava…. e a auto-estima era muito alta para me preocupar com críticas não fundamentadas.
Gostei de todos os meus namorados, mas até os 28 anos de idade ainda não havia me apaixonado de verdade, amor completo, ou seja, aceitar tudo em um homem, (e o sexo não era o melhor que havia tido anteriormente) então, neste momento da minha vida havia enxergado um ser humano e aceitado ele por completo.
Pela primeira vez fui submissa, única de um homem, cuidava da casa dele como se fosse a dona da casa. Lavava, passava, cozinhava, arrumava, costurava, e deixava o ambiente o mais acolhedor possível… mas, a minha taradeza (transávamos em média 5 vezes por dia nos finais de semana e quando encontrávamos durante a semana, não eram menos de 3 vezes – com qualidade) foi incomodando o rapaz ao longo do tempo e como era muito, muito, muito inseguro não conseguiu continuar comigo. Ele dizia que a minha postura fora de casa com amigos, família, no ambiente de trabalho e como “dona de casa”, não condizia com as minhas atitudes como mulher/amante. Ele ficava confuso, queria saber sobre o meu passado e como eu havia sempre namorado, dizia que não tinha tido muitas experiências, somente um namorado anterior a ele. Pela minha atitude e experiência no sexo, ele não conseguiu me enxergar como uma mulher só…. dizia que eu era um “mulherão” e que eu só precisava dele para  me amar e mais nada. Sou independente financeiramente, emocionalmente dependente e com auto-estima elevada…. realmente concordo com ele…. não tem como formular uma mulher assim, com tantas características divergentes.
Aconteceu o que eu já previa… ele me largou, mudou de cidade e a desculpa para que eu não o procurasse era de que “não gostava de mim como mulher”. Esta frase dele acabou com tudo o que eu acreditava, com toda a minha auto-estima, com todo o meu desejo por conquistar outros homens…. eu engordei, perdi meu emprego, perdi a vontade de recomeçar…. Sempre pensava que uma simples frase pode ter um impacto tão devastador.
Fiquei 6 meses sem sair de casa, conhecer ou ficar com homens.
Após este período, conheci um homem mais velho que eu, 16 anos, feio, com muito poder, dinheiro e mas com uma auto-estima assustadora. Ele havia sido largado por uma mulher maravilhosa que não o queria mais, ele estava na fase de carência extrema e de rejeição… e aí eu entrei em sua vida com todos os problemas antes relacionados.
Me apaixonei loucamente por ele, pelo seu carinho, sua atenção (minha carência), e pelo sexo…. muito bom!
Quando estávamos com 2 meses de relacionamento, ele pediu para eu emagracer. Disse que gostava de mulheres magras, que são mais elegantes. Não estava muito gorda, mas tenho estrutura larga, com braços, coxas, bunda e peitos grandes. Matriculei-me no outro dia na academia, comecei a fazer um regime radical e me empolguei com a minha nova oportunidade de estar com alguém. Mas, ao longo do tempo via que ainda não estava emagrecendo da forma que ele imaginava… e com isso, eu acredito que ele tinha vergonha de mim. Era uma contradição entre os desejos dele sexuais, a atração física dele por mim sexualmente, mas fisicamente, faltava algo. Ele sempre teve mulheres magérrimas, loiras e altas. Eu tenho estatura de 1,65, cabelos castanhos e estrutura larga. Era o contrário do que ele gostaria ao seu lado. Sempre que estávamos juntos, dia de semana ou finais de semana, estávamos sempre na casa dele. Quase nunca saíamos juntos, ele saía mais sozinho que junto comigo. Isso me incomodava e sempre brigava com ele, conversava de forma educada, mas realista e ele sempre vinha com desculpas que sabia que era mentiras, mas pensava “enquanto ele está mentindo para me agradar, está bom… o problema é o dia que ele contar a verdade”.
Este relacionamento durou por 9 meses, entre encontros e desencontros, términos e voltas. O fim ocorreu no carnaval quando ele viajou sem me avisar. Fiquei arrasada e naquele momento, perdi totalmente minha auto-estima. Fiquei chateada e não com raiva. Eu me sentia traída por mim mesmo, a minha reação deveria de ser de ódio e de nunca mais querer vê-los, mas não, liguei para ele educadamente todos os dias.
E depois deste dia, ele foi me afastando cada vez mais. Arrumou uma mulher loira, alta e magra para me substituir e não consigo me relacionar com mais ninguém desde então.
Ainda fiquei com ele por um período, mas ele assumiu a mulher como ele nunca havia feito comigo. Ele sai com ele todos os finais de semana na frente de todos, passa o dia todo com ela, exibindo-a em seu carro importado, na frente dos amigos. Sente que ela é um troféu.
Quando fizemos sexo pela última vez, eu estava com tanta vontade que não consegui parar… e ele disse que “não precisava dele para me satisfazer e que eu só precisava de mim mesma para isso”. Entendi este comentário como insegurança, ou seja, que por eu ser tarada , eu poderia estar com qualquer um e não precisamente ele.
Fico achando que ninguém vai me querer mais com respeito, atenção e carinho como eram meus relacionamento até os 28 anos de idade. Quando eu não respeitava os homens e não os tratavam com carinho, amor e cuidados, eles ficavam no meu pé, me tratavam super bem e agora, que resolvi me dedicar a alguém, estou dendo tratada como “objeto descartável”. Antes eu era mais respeitada que agora. no momento têm três caras a fim de mim, que tentam sair comigo, mas não me atraem fisicamente. Não consigo sair com uma pessoa sem atração física. Estou meio perdida nesta minha vida!

A.M.

Saudações A.M.

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Primeiramente, gostaria de dizer que me sinto lisonjeado por ser iniciado no CM por uma leitora tão “experiente”. Nem se eu pudesse arquitetar minha iniciação no blog, ela seria tão triunfal. Brincadeiras a parte, obrigado pelo envio da pergunta, que, com certeza, ajudará outras leitoras. Pois, você toca em pontos importantes que devem ser entendidos não só pelas mulheres, mas por todos.

Por conseguinte, partes do que você escreveu, me fez lembrar um filme, que, aproveitando o momento, indico a todas assistirem.
O título em Português é ” Diário Proibido”. A película é uma adaptação do best seller ” Diário de uma ninfomaníaca” que conta a história baseada em fatos reais de Val, uma jovem francesa formada em economia que, cansada de sua vida, decidiu se dedicar àquilo que mais gostava: sexo.

É bom deixar, expressamente, claro que não há nenhuma comparação entre você e a personagem do filme. Apenas, alguns momentos do seu e-mail, me fez lembrar certos trechos do filme.

Em virtude de vivermos numa sociedade de caráter machista, muitas mulheres, educadas nestes mesmos fundamentos, mesmo que de forma indireta, tendem a se culpar por buscarem de forma intensa o prazer sexual.

O sexo deve ser encarado como um dos prazeres da vida, assim como, comer, praticar um esporte, viajar.

Umas pessoas irão ter predileção por um tipo de prazer, outras por outros. Porém, como um dos motivos da existência do ser humano é ter prazer, e o sexo é a forma mais primária e democrática de ativar essa sensação, ele torna-se, quase, uma unanimidade universal.

É claro que existem patologias relacionadas ao sexo, mas, pelo que você pode relatar, passa muito longe disso. Você é, apenas, uma mulher fogosa.

Vou resumir sua história sobre o meu ponto de vista, ou seja, jogarei seu ego para escanteio, a fim de que você leia e reflita:

Até os 28 anos você não estava a fim de se entregar a um relacionamento, ou seja, de deixar se apaixonar. Pode pintar “o cara” na sua vida. Se as portas da sua alma estiverem trancadas, ele nunca irá ultrapassá-las. Você, como grande parte das mulheres, apenas, queria uma companhia agradável.

Como a vida é feita de mudanças, de ciclos, que, muitas vezes, surgem em oposição ao estado atual. Ir de contrapartida ao seu desprendimento anterior é uma atitude, extremamente, normal. Porém, surgem inúmeras situações novas.

E para tratá-las você utiliza, exatamente, o oposto daquilo que você praticava até então. E é ai que você age de maneira equivocada.

Num relacionamento é necessário saber dosar o desprendimento e o interesse.

Com o tempo, atenção e sensibilidade você vai lidando melhor com isso e vai encarar de forma mais normal os términos de relacionamentos. Onde, não, necessariamente, deve haver um culpado.

Se chegou ao fim, não interessa de quem é a culpa.Muito menos, deixe que, aquilo que alguém fala ou faz afete sua alegria e vontade de viver. Lembre-se que você é quem decide o que quer sentir. Assim como, decidiu viver até os 28 anos.

Portanto, continue na academia, procure um nutricionista para orientar melhor a sua dieta e continue fazendo o que você mais gosta. Pois, com a alma aberta e mais experiente, engatar um relacionamento, mais duradouro, é, apenas, uma questão de tempo.

Muitos Beijos

Mr. P

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Empresário, administrador, jurista e escritor. Adora filosofia, psicologia, história e musculação. Crê que o "caminho da vida" é a busca da evolução perpétua. Escreve e responde dúvidas sobre os mais variados assuntos.

14 comentários No Entre prazeres e desprazeres. – Uma das antíteses existenciais.

  • Muito bom o Post Mr. P. Parabéns!!! Seja bem vindo!!!

  • Ja sim Drika……… Nesse quesito, los hermanos estão ganhando de goleada.

  • Mr. P, você assistiu O segredo dos seus olhos?
    Maravilhoso como a maioria dos filmes do Juan José Campanella.
    Eu já vi alguns e sempre aparece um novo e melhor ainda pra ver, como eu mesma costumo dizer deixe o preconceito em casa e vá assistir aos filmes argentinos você vai se surpreender. risos

  • É um filme espanhol Drika.
    Realmente a “escola argentina” tem se destacado, nos últimos anos, pela forma de abordar os temas políticos, sociais e econômicos do seu povo, além de ter um, excelente, suporte legal quanto ao incentivo à produção de suas películas, possui um vasto e bem formado material humano como diretores, roteiristas, atores………
    O resultado disso é o grande reconhecimento do cinema argentino no cenário internacional.

  • Ótima estréia Mr. P,
    Eu também não acho a A.M., viciada em sexo e também não acho que ela precise de ajuda.
    Ela precisa da um up na auto estima dela assim ela ficará mais atraente ao olhar das outras pessoas, pois a atração vem muito da nossa auto confiança e nós passamos isso de todas as formas.
    E esse seu último namorado é o tipo de homem mais escroto da face da terra.
    Esse filme é Argentino? eu particularmente adoro os filmes argentinos são tãoooo melhores do que os nossos.
    Bjus

  • Mr. P.
    É só uma questão de preferência mesmo! Prefiro escutar e observar as imagens que ler as legendas. Mas se eu desejar muito ver um filme enfrento as famigeradas legendas. Até cinema indiano já andei dando uma espiadinha rsrsrsr
    besos brasileños 😀

  • Queridíssima Sara, depender de legendas para ver filmes realmente é ruim. Não por ter que ler algo, mas porque sua atenção fica dividida entre as imagens e a leitura. Estamos, bastante, acostumados a isso, por isso que nem notamos sua influência.
    Porém, a não ser que se fale Persa, estaremos perdendo bons filmes iranianos.
    Para as que não conhecem essa “escola cinematográfica”, bastante, consolidada como uma das melhores do mundo, vai a dica de um blog que fala sobre os filmes do País do Armadinejad:

    http://cinemairaniano.blogspot.com/

  • Eu ainda não assisti Mr.P
    Mas como o audio está em espanhol tem uma grande possibilidade que eu assista. Porque não gosto de depender muito das legendas.
    O tema é interessante,vale a pena ser reavalidado.
    beijuss da Sara 😉

  • Comentários bastante pontuais garotas.
    Sobre o meu ponto de vista, nossa leitora não tem nenhum distúrbio sexual que a faça necessitar de uma ajuda profissional.

    Falar com sinceridade sobre sexo é sempre, extremamente, complicado.Principalmente para as mulheres.
    O medo ou necessidade de transmitir uma imagem aquém ou além induz ao maquiamento da realidade.

    Quanto ao filme, alguma de vocês chegou a assistir ou ja tinham visto anteriormente, ou mesmo, já leram o livro do qual foi adaptado?

  • jaciara carreira

    Boa noite Mr P. e AM .
    Tive a impressão de ler várias estórias ocorrendo apenas com uma mulher, ou seria ao contrário várias mulheres em uma estória.
    Excelente!
    “Do estrelato ao fundo do poço”
    Num mundo machista que vivemos uma mulher como você assusta, pois é aquela velha estória eles podem.
    Tenho amigas como você, e todas já sofreram foram trocadas, e analisadas com preconceito.
    Mas o mais triste é ver uma mulher realizada em todos os sentidos virar esse jogo contra ela mesma, e infelizmente você não é a única.
    Bom quanto ao seu último parceiro esse nem vale a pena comentar,que triste ser humano é ele.
    A Sara estava inspirada hoje…Concordo com que ela disse de procurar um profissional para te ajudar, sexo pode virar um vício difícil de lidar, procure ajuda, e dê um tempo nos relacionamentos e reflita sobre o que realmente quer para sua vida.
    Ser uma mulher livre, leve e solta ou aquela que você experimentou ser “normal”, porque me parece que as duas esta em conflito dentro de você.
    Boa sorte, admiro muito a coragem em mulheres.

  • Que estréia hein, Mr. P!? Em grande estilo… direto e obejtivo, adorei!
    Acho que Sara disse tudo e concordo em gênero, número e grau com ela, acabei por ficar sem palavras…
    Frase perfeita… “Se chegou ao fim, não interessa de quem é a culpa. Muito menos, deixe que, aquilo que alguém fala ou faz afete sua alegria e vontade de viver. Lembre-se que você é quem decide o que quer sentir”…
    Boa sorte AM!!!

  • Excelente post de estréia!

  • Eu concordo com tudo o que a Sara comentou. Penso que o sexo em excesso pode ser prejudicial de alguma maneira… Ser fogosa, não é ruim, mas tudo tem limite e tudo tem jeitinhu para se consgueguir alguma coisa. Digo isso, pq conheço uma pessoa q é muito fogosa e ela acaba assustando os homens.
    Seja o q vc quer ser, faça o que tiver afim, mas pense q pra tudo tem consequencias.
    Beijos

  • Bom dia Mr. P e A.M
    Antes queria parabenizar pela sua estréia no CM…sou muito visual e por isso adoro quando junto com um post vem “Una película o una canción”.
    A.M. eu concordo com Mr.P quando diz que devemos nos empenhar em fazer coisas que gostamos para nos sentir melhor, acredito que quando nos amamos refletimos isso e as outras pessoas sentem. Se você ainda acha que seu apetite sexual atrapalha seus relacionamentos poderia também procurar um terapeuta, pois eu ainda acredito muito mais na qualidade que na quantidade excessiva.
    E eu não poderia deixar de citar esse seu último namorado, é rídiculo um homem que carrega uma mulher como troféu. Não vale a pena você ficar se importando com ele, ser loira, magra, esbelta, tudo isso é muito bonito mas o tempo também se encarrega de acabar com a beleza exterior e o que nos sobra é aquilo que nos tornamos. Acredito que a verdadeira mulher é a que naturalmente bela não faz uso da aparência física para conseguir o que deseja e sim aquela que com suas limitações consegue gostar de tudo que ve diante do espelho.
    Ahhh também não sou um mulherão mas estou completamente satisfeita com o que tenho. hehehe
    Minha nossa!
    Hoje escrevi demais
    beijuss da Sara 😉

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