O Golpe de Placa

Era uma sexta-feira quente. Quente e abafada. A umidade relativa do ar estava tão baixa que se fazia sentir a cada movimento de aspiração. O ar entrava quente e incomodava as narinas.

E, como em toda sexta-feira, notava-se um burburinho diferente no ar. Sei lá, devia ser a proximidade do final de semana. As pessoas pareciam, apesar do clima, mais risonhas e satisfeitas. Sabe-se lá o que planejavam em suas cabeças. Talvez um passeio na praia. Ah, o litoral, devia ser uma maravilha, poder dar um mergulho no mar, saindo de toda esta secura. E o campo? Deitar na brisa, tomar banho de rio, ver o por do sol, comer uma fruta tirada do pé…

Mas aqui no centro da cidade, continuava quente. Quente e seco.

Na barbearia de Domingos, o movimento era fraco. Devia melhorar mais tarde, com o pessoal saindo do trabalho e dando um trato no visual, antes de ir para casa.

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Domingos aproveitou a falta de fregueses e resolveu ir ao banco para pagar algumas contas. Sabia-se que iria demorar um pouco mais, pois as filas no último dia da semana parecem crescer sempre. É uma regra, não deixe suas contas para pagar na sexta-feira, se não quiser enfrentar filas.

Josiel ficou só na barbearia em um misto de esperança, pois podia aparecer alguém de última hora e de preguiça, pois não era doido de sair dali naquela “quentura”, para ir a lugar algum. Àquela hora da tarde, o sol ainda estava muito forte para arriscar uma saída, mesmo que fosse para um lanche.

De repente, surge do nada um senhor de calvície acentuada, perguntando se podia sentar, pois desejava um corte.

Josiel quase riu. Cortar o quê? Mas não viu a careca do cliente e sim o dinheiro que entraria no caixa, afinal, corte é corte. Não existe meio corte para carecas, como não podia cobrar mais por uma vasta cabeleira.

O senhor sentou-se e deu a ordem clara e incisiva:

_ Apare somente as pontas!

Josiel desta vez, realmente prendeu a risada. Certamente iria ofender seu único cliente da tarde. Pegou a tesoura e o pente, chacoalhou-os no ar batendo um no outro, como se a sua frente houvesse um verdadeiro Sansão.

O careca abriu um sorriso, que demonstrava toda a sua satisfação de estar realmente cortando o cabelo. Como o ser humano gosta de se enganar.

Em dois ou três minutos de serviço, não caíram ao chão mais do que cinco ou seis fios, mas o freguês continuava sorrindo. Satisfação garantida.

Aproxima-se outro senhor. Mais um cliente? Ainda bem que fiquei no salão, pensou Josiel.

Parou momentaneamente o malabarismo com tesoura e pente e perguntou em que podia ser útil, disfarçando o sorriso pela alegria dos reais que estavam por vir.

_ O Domingos está?

Bolas, deve ser cliente do Domingos. Não vou ganhar nada neste, pensou Josiel e respondeu:

_ Foi ao banco, deve demorar um pouco.

Argumentou, na esperança do pretenso cliente não querer esperar e cortar o cabelo com ele mesmo.

_ Vim entregar a placa da barbearia. Domingos me encomendou há uns dez dias, mas só ficou pronta hoje. E preciso do resto do pagamento para voltar para minha terra. Moro longe. Tenho que pegar um ônibus até a rodoviária e lá, outro até em casa. Será que não tem nenhum dinheiro aí?

E agora, o que fazer? Josiel sugere que ligue para o celular de Domingos. O senhor alega que, como está com o celular do filho, não tem o número de Domingos gravado na memória do aparelho. Logo o telefone de Mingão, amigo velho, bebedor de cachaça, apreciador de churrasco e gostava do tatu da patroa como nenhum outro amigo.

Josiel sentiu que a amizade dos dois devia ser antiga. Pegou na gaveta o telefone de Domingos e passou para o estranho, que ligou imediatamente.

_ Mingão? É Lourival. Sim, o Lourival do tatu da dona Laurinda, o melhor tatu da roça, lembra? Tudo bem, com você? Vim aqui só para trazer a placa, pegar a ”grana” e se você não estivesse ocupado, para nós tomarmos uma. Com este tempo uma gelada desce bem, não é? Vai demorar?

_ Bem, não vou poder esperar. Estou aqui no salão com o Josiel, seu sócio. Dá para ele me pagar?

Sócio, quem dera. Pagava uma comissão tão alta, nos cortes que fazia, que às vezes tinha que enganar o Mingão, ou melhor, seu Domingos para poder levar um extra para casa.


_ Josiel, Mingão pediu para você ver quanto tem em dinheiro na gaveta. Por favor.

Josiel, agora não contava mais com o corte, mas se regozijava por poder fazer um favor para o patrão e atender ao amigo.

Parou novamente com o malabarismo com suas ferramentas de trabalho. Naquele momento já se contavam mais de quinze fios de cabelo no assoalho. O careca era só alegria.

Olhou na gaveta e disse a Lourival que havia R$ 55,00.

Lourival continuou falando ao celular:

_ Mingão, só tem R$ 55,00 aqui. Ficam faltando R$ 45,00. Semana que vem, tenho que vir ao centro, pego com você o resto. Tudo bem assim?

Parou de falar, passou o celular a Josiel, dizendo:

_ Quer falar com Mingão ou você ouviu o que conversei?

Josiel achou muita ousadia duvidar do amigo do patrão e meneou a cabeça, respondendo que não era necessário.

Lourival então se despediu:

_ Beleza, Mingão. Semana que vem a gente se fala e toma uma, certo? Um abração e dê lembranças à patroa.

Patroa? Seu Domingos era viúvo. Há poucos dias tinha se enrolado com uma coroa, mãe de um cliente, mas ainda não dava para chamar de patroa. Será que o amigo sabia de mais alguma coisa que ele, um simples empregado, ainda não tomara conhecimento? Sabe lá…

Pegou o dinheiro na gaveta e passou para Lourival que se despediu de Josiel com um sorriso de propaganda de creme dental e ainda deixou R$ 5,00 de caixinha, pela presteza com que fora atendido.

O corte termina. O cliente paga e Josiel coloca o dinheiro na gaveta. Senta e continua esperando uma nova sorte, um novo freguês, careca ou não.

Domingos chega e pergunta se está tudo bem e se houve clientes.

Josiel faz o movimento de a cabeça assentindo e aproveita o ensejo para fazer o comentário:

_ Muito simpático o seu amigo Lourival…

_ Que amigo? , pergunta Mingão.

_ O que falou com o senhor no celular sobre o dinheiro da placa, para que eu pagasse os R$ 55,00. Saiu todo satisfeito…

_ Que Lourival? Que placa? Que celular? Meu celular ficou em casa hoje, pois meu filho ia precisar. Que dinheiro você deu para quem? Você está maluco, Josiel? Você quer me enganar? O que você andou aprontando, Josiel?

Alex Paranhos

23/09/2009

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Carioca, 62 anos, corpinho de 60 e cabeça de 50. Feliz e disposto a descobrir novas felicidades em cada momento da vida. Há algum tempo, com minha experiência e vivência, resolvi me dedicar a observar as coisas, pessoas e acontecimentos, ao meu redor, utilizando este conhecimento para melhorar minha qualidade de vida, junto às mulheres, amigos, parentes, colegas de trabalho e às vezes até com pessoas que pouco conheço, usando apenas informações. E acreditem se quiserem, não é que começou a dar certo. Acertava quase sempre, quando emitia uma opinião. No meu casamento então, funcionou que foi uma beleza. Aprendi a ouvir minha mulher em assuntos que antes considerava como exclusivamente meus. Não que não erre ou não me machuque. Sou normal, tenho qualidades e defeitos, mas consegui ter um índice grande de acertos, conseguindo assim evitar cenas em que a DR (discussão de relacionamento) iria para o buraco, senão definitivamente, pelo menos temporariamente. Minha mulher aprendeu a não só respeitar o que digo, como a observar como eu, tudo o que se encontra a sua volta. Casado há dois anos, depois de seduzido e sequestrado por uma baiana. Um metro e meio de pura sedução e gostosura. Vou repetir, estou feliz. Muito feliz. Três casamentos, quatro filhas e um casal de enteados dão-me a vivência necessária e suficiente para me associar ao Doutor Neurônio e participar deste blog. Afinal, graças às nove mulheres de minha vida (quatro mulheres - esposas -, quatro filhas e uma enteada), sem contar minha mãe e irmãs, posso garantir que ninguém conhece mais bolsas e sapatos que eu. Sei exatamente quase tudo o que elas querem, seus desejos de consumo, seus sonhos e até mesmo o tipo de surpresa causada por cada presente. Se chegarmos à parte de roupas íntimas, desde que conheci algumas marcas famosas (só dou as marcas se patrocinarem o blog), acho que sou quase imbatível. Maduro e consciente das necessidades delas vejo hoje a felicidade de minha mulher, quando saio com ela para as compras, seja para comprar uma maquilagem ou um biquini. Defendo a teoria que não vou deixar de olhar uma mulher bonita, mas que prefiro a honra de estar ao lado de uma igual ou melhor. Sei, também, que poder dar presentes é uma situação a que nem todos os homens estão dispostos ou disponíveis, indo desde a falta de dinheiro, fácil de entender, até a falta de interesse, que não é e nunca será aceita por ninguém, muito menos pela pessoa com quem ele se relaciona. O que custa levar uma bijuteria de R$ 2,00, para quem você ama? Sabe o que ela vai pensar? Que você não parou de pensar nela, e isto é bom para vocês dois. Com base no livro do terapeuta americano, John Gray, “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus”, estou escrevendo “Eu Falo Venusiano”, onde procuro mostrar aos homens que depende deles, ou melhor, de nós, dar a quem amamos o máximo de felicidade que pudermos. As críticas ao comportamento masculino em alguns trechos são profundas e simples, como a lembrança da gentileza ao abrir a porta de um carro. Não importa se o controle remoto de seu carro é o mais moderno do mundo, quem deve abrir a porta do carro para ela entra, é você. Outro assunto abordado é por que mentir para conquistar alguém e quando consegue seu objetivo, mostrar que tudo não passou de uma mentira... Por quê? Se você lembrar que suas mentiras o levaram a atingir seu objetivo, nada como investir em fazer crescer o relacionamento que você fez de tudo para começar. Se entregar ou não no primeiro encontro levantou a maior polêmica entre as pessoas consultadas e entrevistadas. Este item me tomou muito tempo, pois foram quase 1.500 depoimentos. Uma população que me dava a base necessária para apoiar minhas teorias sobre o assunto. Quer saber? Compre e leia o livro. Em breve nas livrarias. Alex Paranhos

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