Quando amo dói até na alma

Bom dia doutor,

Andei procurando no Google historias se homens casados se apaixonam mesmo e me deparei com matérias e seu email, tentarei relatar o que estou passando e necessitando urgente de opiniões pois como disse acima parece que vou enlouquecer e me dói ate na alma quando amo.
Saí de um relacionamento muito conturbado em 2007 e no mesmo ano perdi meu filho. Após o falecimento dele me dei um tempo, só comecei a sair de casa 6 meses depois, pois precisava estar bem comigo, para não ser uma pessoa chata.
Comecei a sair no final de 2007, fiquei bem nesse tempo até 2009, tentei reatar com o ex como namorada, mas sem ir muito além, afinal ele havia me traído e confiança e amor não se reconstroem, então consegui manter somente amizade.
Em março de 2009 conheci o atual, um mês antes conheci um amigo o qual gostávamos das mesmas coisas: curtimos muito videokes, e marcamos de fazer um na minha casa. Foi quando ele comentou do PCF. Freqüentávamos o mesmo lugar mas nunca o tinha visto e meu amigo era amigo dele e dizia mas ele sempre esta comigo e nada de eu me lembrar. Bom, chegou o dia do churrasco com videoke em casa e o PCF apareceu e fomos apresentados, realmente não o reconheci como se já o tivesse visto no lugar onde freqüentávamos. Ao final da madruga esse nosso amigo em comum disse que o PCF tinha gostado muito de mim, só que ele falou a mesma coisa para ele que eu tinha gostado muito dele também. Na quinta-feira próxima nos encontramos no videoke de lá fomos dançar e ao primeiro beijo falamos juntos: “nossa parece que nos conhecemos há anos”, os beijos foram ótimos e o papo também.
Bom, eu fiquei com aquilo na cabeça. Jamais me envolvi com homens casados e sempre fugi mais do que o diabo foge da cruz.
Mas foi os beijos, papos, companhia e fomos ficando eu com a ideia na cabeça, de que não iria me apaixonar, e ele como sempre falando que o casamento já acabou e eu nem liguei. Mas com o tempo isso foi se concretizando, começamos a nos apegar e a esposa dele nunca ligou pra perguntar nada. Ele me apresentou ao filho e aí percebi que o casamento dele não existia mais mesmo. Até o filho sabia de nossa relação. Quando tentei terminar em agosto era tarde. Vi que o amava e ele a mim. Ele também tentou, não conseguíamos mais ficar longe um do outro, e os amigos também foram reais conosco falavam que era para nós aceitarmos que o que era uma aventura se tonou algo lindo visto aos olhos de todos e todos torciam por nós.

Aí não entendi o que ela queria de mim, e trocamos e-mails.

Dr. Neurônio: Em que eu posso te ajudar?

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R. : A ajuda que necessito e me cobro muito é: quando amo me entrego demais. Perdi um filho há 2 anos e aceito muito bem a morte. A saudade vem e consigo conviver com ela. Mas em relacionamentos, a ausência da pessoa me dói de uma maneira incontrolável, de me faltar o ar. Amei somente 2 vezes em minha vida é sempre é a mesma coisa, sofro muito, fico sem controle de mim mesma.

Dr. Neurônio: O PCF era casado quando vocês começaram a sair? E depois de um tempo ele se separou realmente e vocês estão juntos? Por que você tentou acabar o relacionamento em agosto? Qual foi o motivo?

R: Quanto ao caso atual, sim ele era casado se é que podemos chamar de casamento, pois em todo o tempo que ficamos juntos ela nunca ligou para perguntar onde ele estava mesmo passando noite fora ou coisa desse tipo. O que me confirmou que não era falso o que ele comentava, porque histórias de casos de homens casados são sempre as mesmas. Ele até me apresentou seu filho, quando tínhamos 3 meses de relacionamento. O filho sabia do nosso envolvimento. Vou tentar resumir melhor. Nos conhecemos em março e nosso envolvimento foi tão profundo , mas não uma paixão avassaladora de começo, tínhamos muitas afinidades, adorávamos ficar juntos, gostávamos de conversar, fora a química (pele) que era muita e fomos ficando. Quando disse que tentamos terminar em agosto é porque achei que já tinha ido muito longe nosso relacionamento, foi aí que descobrimos que nos amávamos e começou a piorar a aceitação de que não éramos um ao outro um passa tempo. Continuamos juntos, quando foi em novembro a esposa e filha dele descobriram.

Aí a mulher que não se importava com a ausência do marido ou tinha muita autoconfiança de que ele teria suas aventuras, mas voltava sempre para casa desabou. Ela descobriu que o amava, que errou e tudo que você já conhece. Minha duvida é “será que o amava mesmo?”, afinal quem ama cuida. Ou é dor de perda ou traição?

Eles estão juntos há 33 anos e no mesmo dia que ela descobriu, fariam 25 anos de casados. No dia 18/11 ele saiu de casa, só que foi para a mãe, que mora quase em frente. Sou uma pessoa muito paciente quando amo, entendo o lado dela, não quero que ele se distancie ou deixe de fazer algo que sempre fez pelos filhos, afinal ele é muito família e super pai.  Como já disse anteriormente, tenho 44 anos ele 51, ninguém precisa me dizer o quanto ele me ama, pois sinto, quando digo que ninguém precisa dizer é porque todos no nosso convívio percebem nossos olhares, tanto é que quando a filha descobriu nosso relacionamento foi através de uma foto pela internet. Ele tentou negar e ela mesma disse: “PAI, O OLHAR DE VOCÊS FALA TUDO”.

Bom, hoje já faz 2 meses que ele está fora de casa, já passou natal e ano novo o qual achava que ele voltaria para casa e nada, em 17/12 ele terminou dizendo que iria voltar para cãs,a mas quando chegou lá lembrou de mim e de nosso relacionamento e voltou atrás. Ele vive me dizendo que a razão pede para ele voltar, mas o coração não deixa, mas minha insegurança continua a mesma. Pensei e penso assim, a amante sempre perde. Os filhos cobram, mas já eram cientes de que o casamento não existia mais, porém fui eu que tirei o pai de casa né? Então a culpada sou eu.

Preocupo-me com ele, porque ele é melancólico e depressivo, mas queria que ele voltasse para casa, pois somente assim ele irá surtar quando estiver sendo vigiado, sem poder sair. Ele teria que ter a consciência que acabou por mais que ele tente, porque sei por experiência própria. Até tentei me matar na ocasião (mas não foi por ele). Acabou a confiança e respeito, acaba tudo no relacionamento.

Ele sofre porque os filhos cobram e por ela que emagreceu e está pedindo uma oportunidade, então eu que acho que ele deva voltar e sentir por ele mesmo.

Desculpe-me, não consigo me expressar muito através do papel, mas a minha dor consegui expressar e contar um pouco mais.  Meu relato diz as duvidas que carrego e queria conselhos de como agir, pois quando me desespero até bebo para tentar dormir e não ligar ou procurá-lo. Juro não sei como agir, estamos brigados a 5 dias e não o procurei e nem ele a mim, sinceramente não sei o que fazer.

Agradeço desde já, e me desculpe os erros ou concordâncias, mas sou péssima nisso…

MUITO MUITO OBRIGADA MESMO.

S.


Olá S.

Tudo bem? Obrigado por ter enviado sua dúvida.

Bem, logo no começo você fala que confiança e amor não se reconstroem, mas você está completamente errada. Reconstroem sim, e constantemente. Existem milhões de casos de relacionamentos em que o amor acabou para um dos dois, e o parceiro conseguiu fazer com que o outro voltasse a amá-lo. Eu mesmo já dei dicas em diversos posts sobre como fazer isso.

A confiança é mais difícil, porém pode ser reconquistada sim. Nunca ninguém enviou uma história perguntando isso e se não acontecer em breve, farei um artigo sobre o assunto.

Agora a parte mais complexa, a do título do seu e-mail, “quando amo dói até na alma”. Bem, em primeiro lugar você reconhece o problema e sabe que se entrega demais. Depois, já teve o pior tipo de dor, que é perder seu filho e consegue superar isso. A solução é simples na teoria, e na prática nem tanto.

Veja, absolutamente ninguém depende de outra pessoa para viver ou ser feliz. Nenhuma pessoa é a razão para você viver. Pode parecer algo anti-romântico para se dizer, ainda mais vindo de mim, que é totalmente a favor do amor, mas de um amor saudável, sem obsessão. Eu gosto de estar sempre junto, contar tudo, realmente ter um relacionamento como antigamente, porém tudo com limite. E é exatamente isso que você não está conseguindo ter.

O que parece é que você joga todas as suas forças no relacionamento, coloca a pessoa como sua razão de acordar todo dia, o motivo de sorrir, projeta sua felicidade nela. A pessoa pode até te dar muitos motivos para ser feliz e sorrir, mas ela é apenas uma parte da sua vida. Existe todo o resto: família, amigos, trabalho (ou casa), estudos, hobbies e a parte principal: você!  Sim, você deve ser o principal fator da sua vida, sua maior causa de preocupação. Preocupe-se com você, ame-se, faça tudo que te deixa feliz. No post  https://cerebromasculino.com/2009/09/23/ser-que-essa-dor-um-dia-passa/ dou diversos conselhos do que fazer para encontrar a paz interior, ser feliz sozinha. Leia e coloque em prática o que é recomendado.

Faça também o mesmo que fez para superar o falecimento do seu filho. Se superou algo tão sério, controlar-se nos relacionamentos deve ser fácil.

Caso não consiga resolver sozinha, e continue com desejos suicidas, procure uma terapia urgente. Já deveria ter procurado quando tentou na primeira vez. Terapia não é para pessoas problemáticas ou malucas, mas para todos que tem problemas ou algum fator psicológico que te incomoda. E quem não tem? 😛

Se você não mudar, e isso eu acho triste dizer, mas o seu relacionamento com ele não terá futuro. Ele já é depressivo (também deveria seguir os conselhos que dou no post acima citado) e com alguém que não está perfeitamente estável ao seu lado, não existirá maneira de manter esse relacionamento a longo prazo, o que acredito que seja o que você quer.

Faça o que recomendei e veja como sua vida vai melhorar muito. Aí você estará pronta para ter qualquer relacionamento, mas de maneira sadia e sabendo que sua felicidade depende apenas de si mesma.

Um beijo,

Doutor Neurônio.

Obs: não acho que seja relevante para seu caso saber se a esposa o amava ou não, por isso não respondi no corpo post. Mas vou dar dois comentários: muitas vezes quando perdemos algo, sentimos muito a sua falta e queremos de novo, o amor até reacende. Às vezes só damos valor quando perdemos, mas logo logo esquecemos. E outras vezes, mesmo amando, com o dia a dia, acabamos deixando a pessoa amada de lado, sem preocuparmos com ela. Só notamos isso quando perdemos.

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