Sai fora enrosco!

Sou R., lembra-se de mim? Escrevi para você em Janeiro/2010 com o tema “meu marido fala que quer ir embora, mas não vai”. Bem, aqui estou eu, para pedir-lhe novamente um conselho. Segui seu conselho: tratei-o muito bem, procurei ter com ele conversas sobre outros assuntos, como amiga, mas agora ele me trata como se eu fosse ninguém. Me ignora o tempo todo inclusive na frente dos outros. Se eu converso com ele, responde, senão, não fala absolutamente nada comigo. Entra em casa, me cumprimenta e só. Depois é como se eu não estivesse ali. Já sofri demais com esta situação.

Houve um episódio em que ele me ignorou na frente de minha irmã e eu me senti muito mal, parece-me que essa foi a gota d’agua. Isso faz 15 dias e eu não suportei e disse que não aceitaria mais ser tratada desta forma, que ele tomasse a decisão que quisesse, que saísse então de casa (que não era o que eu queria, mas se não tem jeito, que fosse assim) Ele ainda ficou uma semana, do mesmo jeito, fazendo de conta que eu não estava ali. Domingo, fui falar com ele novamente, porque agora, acho que estou com a auto-estima mais elevada e estou ficando com raiva dele. A fase de me sentir culpada, já passou. Quando comecei a falar, sem me alterar, calmamente, ele me cortou e disse que independente do que eu falasse, ele iria embora mesmo. Então eu não aguentei e disse “quando?”

Na verdade, percebi que ele não esperava esta resposta e ficou um pouco sem ação, mas disse depois que estava esperando a situação se resolver. Que situação? eu disse. Não há nada a ser resolvido. Se ele quer ir, então vá. Eu disse muitas coisas sabe? Como eu me sentia mal em ser desprezada, que eu não merecia isso, que eu quero ser feliz e que minha consciência está tranqüila, fiz tudo o que pude para salvar nosso casamento e que não me arrependia de nada.

Sabe qual é o problema agora também? É que até nossos filhos, ele está deixando meio de lado. Ele diz que não, mas está sim, eu vejo. O fato é que tivemos esta conversa no domingo e até agora ele está em casa. Eu disse a ele que se era para ir, então que fosse logo, porque assim eu passaria logo pela fase que está por vir, mas não foi ainda. Não entendo definitivamente a cabeça dele. Porque se ele quer ir, eu já disse que vá então, mas ele fica, me causa mais mal ainda. Preciso que essa situação se defina logo, não agüento mais viver assim.

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Sentir o cheiro da pessoa, ouvir a voz e vê-lo e não poder nem mesmo tocar, é muito pesaroso para mim. Estou sofrendo demais. Ah! Só para esclarecer a minha terapeuta disse para desprezá-lo no sentido de não perguntar muito sobre a vida dele, especular e não deixá-lo de lado. Foi nesse sentido, o mesmo que você falou. O que faço agora? Ajude-me com sua experiência e opinião. Agora eu acho que realmente ele tem outra, pode ser que antes não tinha, mas agora… Ele está muito mudado, parece que olha para mim com uma raiva imensa.

Então, porque não sai logo, não é? Só mais um comentário, sem querer tirar minha culpa, eu a reconheço. Eu o tratei mal, mas ele também nunca foi um santo. Sempre me deixou em casa e passava os domingos com os amigos, jogando bola e bebendo, por isso eu brigava demais. Mas eu deveria ter agido de outra forma, hoje eu vejo, pois estou mais madura agora. Mas não adianta ficar chorando o leite derramado. Li o livro “o segredo” gostei muito, tentei aplicar em minha vida e até consegui um pouco, mas parece que agora não tem mais jeito mesmo.
Obrigada pela atenção.


Olá R,
Vendo o seu depoimento senti que não há um elemento importantíssimo entre duas pessoas que se gostam, a tal da química. E sem contar que você mesma percebe que está em outro momento de sua vida. Pelo jeito ele ainda não sabe o que quer e por não saber ou ter coragem para alguma coisa, a trata com indiferença. Por outro lado é muito positivo você demonstrar a sua posição porque marca o quanto você tem maturidade para lidar com tudo isso o problema é que ao invés dele se inspirar e tomar o rumo da vida, fica no mesmo lugar.

Quando envolve filhos infelizmente a falta de maturidade faz com que ele acabe sofrendo influência sobre o tratamento com os filhos sendo que eles não tem nada a ver com a separação. Você sempre será a mãe e ele sempre será o pai, agora se ele não escolhe ser um bom pai, isso é uma questão dele. Embora isso seja triste porque as crianças sofrem, por outro lado é importante que você pense em ser uma boa mãe e faça o seu papel.

Não sei exatamente que tipo de acordo acontece entre vocês para viverem sobre o mesmo tempo, mas é preciso colocar um ponto nisso, principalmente se a casa for sua. Se está claro que vocês não dão certo, é caminhar para o próximo passo para que justamente a convivência não se torne insustentável e como você demonstrou atitude, seja firme e exija dele uma posição.

Até mais!!

Márcio Oliveira
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Psicólogo, consultor de relacionamentos e quase Mestre pela USP-SP. Meio NERD, completo romântico, mas não abre mão de um intenso beijo na boca e um alinhamento entre coração, corpo e mente.

4 comentários No Sai fora enrosco!

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